quarta-feira, 30 de março de 2011

Não faz sentido! - Revolta pessoal sobre o fim do BBB.

Escrevi sobre a estreia do BBB (leia aqui), e agora escrevo sobre o último dia do programa, desta vez, substituindo a expectativa pela revolta.

Não consigo entender por que a Maria ganhou o programa (sem duplo sentido, por favor). Juro que não estou falando isso por causa da biscatice (isso é assunto de outro post), mas falo devido as suas atitudes no jogo. Um programa que premiou o mestre, mito, ídolo, estou digitando em pé, Dourado, não pode dar um milhão pra alguém inconsistente e incoerente. Calma, não me xinguem, vou explicar.

Como a maioria dos brasileiros, até a metade do programa eu não torcia pra ninguém. Participantes desinteressantes, de longe a edição mais chata, e toda essa ladainha coletiva que ouvimos nesses três meses (jogados no lixo com essa final! Estou revoltada ainda). Até que o Boninho mexeu certo, e conseguiu criar história em algo que parecia perdido. Não salvou, mas tornou o BBB um pouco mais atrativo. Sai o Mau Mau que pegava a Maria. Pegação descompromissada mesmo, no sentido mais pejorativo da palavra. Aí entra o Wesley, e a Maria vai toda se querendo pra cima do doutor. Toda se querendo mesmo, no sentido mais pejorativo da expressão. Aí fica aquela lengalenga, chamego, selinho, enfim. Eis que de repente adentra na casa novamente Mau Mau. Munido das informações “a Maria está pegando outro” e “A Maria é garota de programa”, já chega rejeitando a moça. Ok, não o julgo, muitos fariam isso.

O que acontece depois? Maria deixa o Wesley de lado, que fica isolado porque entrou depois e é alvo de todos na casa. Menos um ponto pro time das meninas. A atriz vai pro ataque e começa a literalmente perseguir o Mau Mau (provocou cenas engraças, mas perdeu outro ponto), que se não se juntasse aos seus amigos-do-mal Diogo e Rodrigão e começasse a esculhambar não apenas a Maria, mas todas as mulheres, poderia ter sido vencedor.

Aí o que acontece? Maria podendo escolher entre Wesley, Janaina e Diana, coloca o rapaz no paredão com medo de quebrar o clube da Luluzinha e sofrer a revolta das meninas. Ok, Mariou, mas sempre há uma forma de redenção!

No capítulo seguinte, Maria cansa da seca e resolve ficar com o Wesley mesmo, que neste tempo estava na dele, tentando se enturmar com os homens da casa – sem muito sucesso até sua liderança -, foi para alguns paredões e jogou limpo com Mau Mau ao contar o que realmente tinha acontecido quando ele não estava na casa. Coisa que Maria não fez. Mentiu e não contou a história completa quando teve a oportunidade (menos três pontos, no meu cálculo).

Lembram da redenção? Maria tem outra chance, e adivinhem! Coloca novamente o doutor na berlinda. Meu Jesus Cristo pai amado, quando a criatura é obrigada a decidir sozinha, só dá porrada no dr.

E o Wesley? Ficou chateado, mas nem por isso a tratou mal. Quando teve a oportunidade, salvou sua “namorada”, coisa que fatalmente ela não faria. Tomou ainda alguns foras, enquanto nós ainda a ouvíamos falar do Mau Mau. Muitos aqui fora diziam “ah, é fofo mas cansa, mulher não gosta disso”. Gente, calma lá. Se o Brasil queria a vingança das mulheres contra o machismo, não era ele quem merecia levar o prêmio?

Por que eu estou revoltada? Porque eu realmente não vejo um único motivo para a Maria virar milionária. Porque se pensarmos em merecimento, ela definitivamente não merecia. Não, ela não representa a “vingança das mulheres”. Se fosse para pensar assim, deveríamos premiar o único homem da casa que não maltratou nem ofendeu nenhuma mulher. Se é engraçadinho ela ser “burra” (como esquecer do astigmatismo?), como ouvi muitos falando, também não é motivo pra torná-la rica (lembrando que seus pais são instruídos e não lhe faltou estudo). Se ficar bêbada correndo atrás de homem também é engraçado, prefiro o bêbado que dança com o coqueiro! E “ser traída” por um amigo falso não é razão para levar um milhão. Se fosse, eu estaria, pelo menos, escrevendo este post de um Iphone diretamente de Cancun. Na verdade eu estaria ditando para alguém escrever.

Agora, o que me resta? Continuo pobre, o BBB acabou, minha segunda-feira começará às 21h de domingo e não mais às 00h, e, de quebra estou revoltada com a final. Obrigada, Brasil.

domingo, 20 de março de 2011

A maldição das compras coletivas

Eu sempre me gabei por não fumar, beber, usar drogas, ser emo, e depois de vinte e poucos anos tornei-me uma viciada. Mas superei, e sim, consegui sair do vício sozinha. Na verdade, ele saiu de mim. Ele cresceu a ponto de começar a me incomodar com sua presença, e quando vi estava curada. Essa maldição chama-se compra coletiva.

Sintomas:

- A primeira coisa que você faz ao acordar é correr pro computador para ver quais são as promoções do dia?
- Já comprou tanto que não tem mais lugar na carteira para tantos cupons? 
- Já comprou coisas que sabe que nunca usaria, mas apenas por estarem baratas e acessíveis?
- Já fez barraco porque o PagSeguro deu pau e você não conseguiu efetuar a compra?
- Decorou o número do seu cartão de crédito?
- Seus amigos estão te julgando por isso? As pessoas apontam para você nas ruas chamando-o de consumista? 

Se você respondeu positivamente a pelo menos uma das questões acima, desespere-se por apenas dois segundos: você é viciado (1,2...), mas tem cura!

Aproveite então esse espaço para se sentir acolhido, pois esta que vos fala entende o que se passa em seu coração sofredor. Sempre fomos felizes e sensatos, não extrapolávamos o cartão de crédito, e agora vivemos a base de pizza, massagens e tratamentos no cabelo, não é? Antes a alegria era vista nas pequenas coisas da vida, e agora é vista nos maiores descontos, certo?

Você nunca quis ir para Búzios por só ter pré-adolescentes, e agora já comprou quatro diárias para casal no inverno? E nem tem namorado, não é?
Já foi para Madureira fazer escova no cabelo, engordou 5kg com Brownies e tortas, passou uma semana no banheiro de tanto comer Yogoberry, sua pele está fina que nem papel de tanto peeling de cristal, sem falar que acabou com a tinta da sua impressora de tanto imprimir cupom, não foi?

Antes de pensar voltar para a internet discada para evitar a tentação, asseguro que existe solução, e não foi difícil. Primeiro, você começa a sacar a malandragem, e realmente para para (obrigada, reforma ortográfica, por tirar o acento do primeiro “pára” e estragar meu texto) ler as condições da compra. Aí já descarta metade. Além disso, os sites de compras são tantos, que é preciso entrar em outros que consolidam as compras coletivas. Sendo que cada site compra coletiva oferece pelo menos quatro ofertas por dia. Ou seja, não sobra tempo (nem paciência) para ver tanta coisa (repetida), e aos poucos você vai deixando de entrar, cansando de olhar. Escova London em Bangu, Tijuca, Leblon, Ipanema, Copa... ah, muito difícil, deixa pra lá.

No fim das contas, você volta para os bons e velhos sites iniciais, aqueles dois ou três que surgiram primeiro (ofereço publicidade paga aqui, basta me escrever), lê o assunto do e-mail e já descarta ou entra. Pronto! Tá curado sozinho, sem dor!

Frequentar três sites de compra coletiva é consumo saudável e necessário, não vício!

PS: Dedico este post a uma amiga, que foi quem me apresentou aos sites de compra coletiva e originou a expressão que eu e minha amiga Natasha costumamos exclamar sempre que surge uma nova compra ou ato consumista: DAMN, LEUZINGER!


sexta-feira, 11 de março de 2011

É Carnaval! Pode tudo!

O que está acontecendo com o Carnaval?
Podem me chamar de velha e desanimada, mas confesso que odeio essa obrigação de se divertir muito e encher a cara o dia inteiro, todos os dias. Odeio essa obrigação de ir pra bloco e fazer do meu Carnaval uma semana de fanfarronice total, sem descanso. Mas eu realmente não gosto de bloco. Até fui em uns, foi legalzinho, ok. Mas o que a cada ano já vinha me chocando, esse ano parece ter avançado anos-luz. Carnaval virou sinônimo de “pode tudo, sem limite, sem lei, sem respeito”.

Não tem banheiro nas ruas pras pessoas usarem, mas isso não significa se possa fazer xixi em qualquer lugar. Juro, eu nem me importo muito se fizerem xixi em uma árvore mais escondida, mas as pessoas fazem em qualquer lugar. Basta abrir a calça e pronto. Esconder pra quê? Quem quiser olhar, que olhe! Há duas semanas, quando alguns blocos já estavam saindo, eu voltava da praia e me deparei com um cidadão fazendo xixi na orla, sem a menor cerimônia. Passava um grupo de meninas de uns 14 anos, e o cara ficou gritando: nunca viu não? Virgens!”, rindo como se elas estivessem erradas em se espantar com a cena. É na frente de mulher, de senhoras, de crianças, casais, sem o menor respeito e educação. E o Carnaval virou sinônimo disso: falta de respeito e de educação.

É carnaval, eu posso chegar em quem eu quiser, da maneira que eu quiser. Posso ser grosso, agarrar, e não preciso nem estar em um bloco pra isso. É Carnaval, não tem hora nem lugar. Ah, também não importa se a mulher está voltando do trabalho ou simplesmente andando na rua, se tem namorado, se ele está no banheiro ou já está voltando. Carnaval é o período ideal pra ser corno mesmo.

Também posso sacanear quem eu quiser. O taxista que está trabalhando, o entregador de pizza, a gente junta em cima dele e fica pulando e cantando alalaô, com certeza vai ser engraçado! Vamos zoar também a catadora de latinha e a tia que vende cerveja. Aproveita e beija ela, vai ser engraçado! Também vamos jogar água e espuma nas pessoas. Vamos parar os carros, atravessar no meio deles com o sinal aberto, a rua é nossa! Viva a folia!

Desculpa, não é engraçado. Minha mãe sempre disse que o nosso limite termina quando começa o do próximo. Não quero ficar dando lição de moral, mas fiquei muito revoltada com algumas coisas que vi esse Carnaval, e cansada de justificar os motivos pelos quais eu não queria ir aos blocos. Se fossem só os bêbados suados, ainda dava. E ainda tem as brigas. As pessoas esquecem que, às vezes, há reação para as ações. E que você pode sim tomar porrada se chegar na mulher de alguém. E também pode tomar porrada sem ter feito nada. E tomar spray de pimenta na cara só porque estava preocupado procurando sua namorada no meio de uma confusão.

Acho lindo ver os pierrots e colombinas, as fadas, as panteras, minnies, as amigas que passaram dias combinando as fantasias, os homens vestidos de mulher, e o que mais a criatividade dos foliões inventar. É uma pena que mesmo com todo esse colorido, se antecipem as cinzas da quarta-feira – com cheiro de xixi – por causa do espírito “sem limite, sem lei” do Carnaval.

Pronto, desabafei. Próximo post vai ser mais leve, prometo! Aceito sugestões também!

PS: Não posso ser injusta. Existe uma lei que funciona sim nesta época. Choque de ordem. Vai parar seu carro onde não pode pra ver no que dá!

terça-feira, 1 de março de 2011

Backstreet Boys, 15 anos depois


No último final de semana fui ao show dos Backstreet Boys. Algumas pessoas me criticaram (pra variar). “Como assim?” “quantos anos você tem?” bla bla bla. Eu tinha que ir neste show por um simples motivo: eu posso não ter mais doze anos, mas depois de tudo o que eles representaram na minha pré-adolescência, eu tinha a obrigação de ir.

Acho que posso dizer que eu era a típica pré-adolescente leitora da Capricho (apesar de assinar a Atrevida): tinha pôsteres dos Backstreet Boys no quarto, escrevia cartas pras amigas falando deles, sonhávamos como seria o dia que os encontrássemos, chorava, ouvia as músicas o dia inteiro, e a minha maior preocupação era morrer sem conhecê-los. Éramos quatro amigas, cada uma gostava de um. Não tinha briga.

No show desse final de semana, eles mostram algumas cenas de clipes antigos (que eu sabia de cor), e quase ri alto ao ver depois de 15 anos as “piranhas vagabundas” que contracenavam com eles nos clipes que eu tanto odiava. Eu realmente queria que elas morressem - mas naquela época não tinha Twitter para incentivar esse ódio coletivo de fãs alucinadas.

A sensação que eu tenho de ver os BSB hoje é muito estranha. Primeiro, é engraçado pensar que eles são homens, casados, com mais de 30 anos, fazendo coreografias no palco. Se fosse algum amigo meu, certamente ouviria de mim o tradicional “se mata” com ar de desprezo. Segundo, ouvir as músicas que eu cantava diariamente e incessantemente durante anos da minha vida me remete a uma sensação muito esquisita. A paixão de fã é uma coisa muito real e sofrida ao mesmo tempo. Cara, eu realmente sofria muito por causa deles. Como eu chorava achando que eu era a namorada perfeita para o Brian (eu realmente achava que era) e que ele nunca iria me conhecer... Imagino que deva parecer aquela coisa de primeiro amor, que mil anos depois quando você encontra a pessoa dá um embrulho no estômago, pois você lembra como ela foi importante, o tempo passou e você não sabe mais quem ela é, de onde ela veio, o que ela fez (as long as you Love me... – tumdum tsss! Brinks!). Pois bem, acho que meu primeiro amor foi platônico. E dói, viu? Vai entender o coração de uma menina de doze anos.

Aí você cresce e descobre que “Garotos da rua de trás” não faz sentido e até acha pouco comercial (apesar de ter dado absurdamente certo), e “garotos” já não funciona mais para pais de família. E assume que eles realmente não sabiam que você existia, mas isso não machuca mais. Ah, outra coisa que muda bastante é que você não se importa mais em ouvir dos outros que eles são viados. Não mesmo. Até começa a concordar em alguns aspectos e não xinga pessoa que te falou isso. E quando o Nick dá uma de “sou sexy” você ri achando meio ridículo aquilo. Mas com respeito, claro. E começa a achá-los não tão bonitos assim. Aí descobre que o AJ nunca foi bonito. E que o Kevin não cantava mesmo.

Da última vez que eles vieram ao Brasil em 2009, consegui ir no soundcheck e tirar uma foto com eles. Lembro que fiquei pensando como ia ser poder, depois de anos, encontrar as pessoas que foram o centro da minha vida por um bom tempo. Dessa vez, eu estaria do outro lado, o da fã, e não o da representante do artista. Não tremi, não chorei, não passei mal. A sensação que eu tive foi a que sentia quando levava algum fã para conhecer seu ídolo. Você fica feliz em saber que está realizando o sonho de alguém, que aquele momento será eternizado para uma pessoa e você foi parte daquilo. Aquela fã vai te agradecer pra sempre. Foi exatamente assim que me senti. Feliz e orgulhosa de estar realizando o sonho de uma menina de doze anos, à distância.