sábado, 14 de maio de 2011

"Tudo não pode nada"


Pode não fazer muito sentido, mas quanto mais se ampliam os direitos das pessoas, menos limites elas têm. Explico: hoje as crianças são, sim, muito mais mal educadas e desobedientes do que antigamente. Por quê? Porque ninguém pode colocar limites. Colocaram as crianças numa “cápsula” onde todas viraram intocáveis. Os pais não podem colocar de castigo, a escola não pode repreender, tudo fere os direitos, traumatiza, e ficou mais fácil deixar passar do que tentar consertar.

Eu estudei no CAp/UFRJ, uma escola pública (que eu amo mais que tudo, por sinal), pequena, e que justamente por isso todo mundo se conhecia por nome. Lembro de algumas situações que se ocorressem hoje, seriam caso de tema debatido no Fantástico. Uma vez, eu e meus amigos levamos confete para a aula, pra jogar pra cima quando tocasse o último sinal (excelente idéia, diga-se de passagem). Quando deu 12h40 e o sinal tocou, foi aquela festa! Confete na sala inteira! Que durou cinco minutos. A professora avisou na portaria, e em um minuto a coordenadora chegou na porta e falou: “vai ficar todo mundo limpando a sala depois da aula”. Ok. Fomos até a despensa, pegamos as vassouras, varremos tudo, depois guardamos o material e fomos pra casa. Agora me diz, imagina se isso fosse hoje? Era motivo para matéria no jornal relatando o abuso da escola, demissões, discussões sobre o trabalho infantil...

Outra vez três meninos da minha sala, todos com uns onze, doze anos, picharam o banheiro da escola. A coordenação descobriu, avisou aos pais, comprou tinta e eles ficaram de tarde pintando o banheiro. Um deles, inclusive, subiu no vaso sanitário para alcançar no teto, caiu e quebrou o vaso. Machucou um pouco, mas acharam mais graça que dor. Se fosse hoje, o CAp estaria fechado, com certeza.

Eu aprendi o que era vandalismo quando quebrei a maquete de uma menina com dois amigos na terceira série. Achamos que não teria problema, e quebramos o isopor todinho. No dia seguinte, entra a moça do SOE na sala perguntando quem tinha feito aquilo. Levantamos a mão, levamos bronca (aí entendemos que tínhamos feito algo errado), chamaram nossos pais, e tivemos que chegar no colégio mais cedo pra encontrar a menina e pedir desculpas pessoalmente. No CAp, não tinha nem espaço para aquele tipo de pai que passa a mão na cabeça do filho, que vive da frase “meu bebê não fez isso” e culpa a escola pelos erros naturais que toda criança comete.

Por essas e outras que eu acho que o mundo está cada vez pior, pelo simples motivo de não poder haver repreensão – no sentido de educar. Minha irmã volta e meia escrevia na parede e no sofá. Quando eu olhava, estava lá a Laura, pequenininha, com aqueles cachinhos, chorando, esfregando a parede com sabão (no início eu ficava com pena, depois achava graça, como boa irmã mais velha). Se sujou, limpa. Pronto, não vai fazer de novo. Também não vai traumatizar a criança. Acho que falta aos pequenos aprender a ouvir "não". Foi de tanto ouvir não (provavelmente devido a quantidade de besteira que fazia), que a Laura aos quatro anos soltou a pérola que intitula esse texto.

Quando as crianças perceberam que podem fazer o que quiserem, que o máximo que vai acontecer vai ser ouvir um sermão de três minutos, elas realmente perderam o limite. Não sou a dona da verdade, mas desde que resolveram ensinar os pais a cuidar dos filhos, eles têm crescido cada vez piores.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Eu sofro bullying, tu sofres bullying, ele sofre...


Eu sempre fui pequena. Bem pequena. Com sete anos, meus dentes da frente eram tão pra fora que eu não conseguia fechar a boca. De quebra, o brinquedo (mais conhecido como ‘filho’) que me acompanhou (e acompanha) a vida toda era um coelho. Não preciso nem dizer que no colégio, por muito tempo meu apelido foi Mônica. Eu só não era gorducha. Agora que deram um nome, posso dizer que sofri bullying. Eu e todos os meus amigos do colégio. Eu e todas as crianças do mundo, na verdade. A frase mais correta que ouvi é a que quem sobrevive à escola, sobrevive a qualquer coisa. Criança é malvada por natureza e fala as verdades na cara, muitas vezes sem saber que está magoando. Adora dar apelido, zombar dos amigos, e isso não é característico dos grandões não, é de todos.

Não estou aqui pra falar que o bullying deve ser aceito (pelo amor de Deus!), nem vou falar de casos extremos que todos sabemos que existem e são tristes e horríveis demais. Quero falar dessa maldição que agora ganhou um nome, se popularizou e se tornou mais insuportável do que era. Eu acho muito legal que as pessoas falem sobre isso, que consigam expor seu problema e resolvê-lo, mas o bullying sempre aconteceu e me incomoda o fato de virar justificativa pra tudo. Um ser maluco entra na escola e mata crianças aleatoriamente, e dizem que foi porque ele sofreu bullying. Desculpa, mas bullying todo mundo sofre, e nem todo mundo sai surtado atirando em inocentes. Lógico que existem casos e casos, mas de modo geral, usar essa nova expressão como explicação pra maluquice humana me soa simplista demais.

O grande problema não é o bullying, e sim a forma que respondem a ele. Se a criança sofre bullying calada, realmente é um problema. Mas se fala para os pais ou para escola, grande parte do problema está resolvido, pois eles que irão tomar a atitude mais sensata e que efetivamente soluciona a questão. No meu caso, eu não podia crescer, mas coloquei aparelho. Também não podia dar porrada em ninguém, então uma boa decisão foi reclamar pro meu pai, que avisou ao Adílson (era o inspetor que fiscalizava a gente no CAp), um negão com cara de malvado que entrou na sala e mandou alto: “se alguém chamar a Leninha de Mônica de novo, vai se ver comigo!”. Problema resolvido.

Lembro de quantas vezes o SOE e a coordenação foram na sala pedir pra gente parar de xingar um, de dar apelido pro outro, pra não excluir fulaninho, sempre na base da conversa e da explicação. E criança entende! Eu sempre me sentia a pior das criaturas quando me faziam enxergar que eu estava fazendo mal pra alguém. E nenhuma das crianças ao meu redor cresceu atordoada, virou adulto doente, nem matou pessoas, e eu lembro de apelidos e brincadeiras maldosas com quase todos. Ou seja, os pais e a escola precisam estar  sempre presentes e atentos sim, mas quem sou eu pra "ensinar" isso, certo?

Acho que o termo “bullying” devia ser usado somente pra casos extremos, como os que infelizmente sabemos que acontecem. Nos pouparia, pelo menos, de ouvir absurdos como políticos dizendo que sofrem bullying da imprensa. Se bem que nesse último caso, acho o bullying um tanto quanto necessário.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Por que você deve ter filhos

Conheço algumas pessoas que não querem ter filhos, e me sinto na obrigação de tentar explicar por que elas devem ter sim. Pra início de conversa, estou falando de pessoas que têm situação financeira boa e estável, relacionamento serio, etc. (sempre tem um espírito de porco pra querer dar aula de sociologia, geografia, biologia, antropologia, e falar que muitos não têm condições, não podem, essas coisas). Portanto, esse post vai para pessoas que têm condições de tê-los, e só não os têm por opção (deixando claro que não vou falar de catolicismo aqui).

O motivo principal é bem simples: família. Família é tudo de melhor que existe na nossa vida. Lógico que não existe família perfeita, mas os laços sanguíneos (ou não) criam uma relação divina que é o grande presente (e base) que o homem recebe ao nascer, e não precisa nunca se desfazer dele, apenas mantê-lo. Não existe nada melhor do que casa cheia, almoços de domingo na casa da avó,  Natal em família... Eu ainda não sou mãe, mas deve ser incrível ser acordada no final de semana com as crianças pulando na cama, ver seus filhos brincando juntos, depois brigando, fazendo as pazes e brincando novamente, vê-los unidos conspirando sobre como sacanear os pais (no bom sentido da palavra). Vê-los cuidando dos filhos um do outro e enchendo sua casa de alegria desde o primeiro momento em que apareceram. 

Parêntese: dia desses estava comentando com a minha mãe sobre como é engraçado quando acontece um marco na nossa vida e a gente dorme, acorda e lembra da nova situação. Por exemplo, compra um cachorro, acorda no dia seguinte e lembra "caramba, tenho um cachorro!", ou "caraca, estou em Paris!". Imagina quando você acorda na sua primeira manhã e lembra "eu sou mãe".

Já ouvi dizerem também que outro motivo para não ter filhos é ter que deixar de fazer viagens e coisas de que se gosta por causa deles. Nos primeiros anos tudo bem, não se pode ter tudo sempre, mas depois a vida volta ao normal. Os filhos crescem, e ainda haverá uns 50  anos no mínimo para viagens e afins. E na velhice, os filhos não tidos farão muita falta. Também não sei se um ou dois anos sem ir pros EUA compensam os dias dos pais sem desenhos, os cafés da manhã sempre para dois e os Natais cada vez mais vazios.

Tenho um tio -  muito sábio por sinal, daquelas pessoas que a gente ouve em silêncio e depois pede benção - que no último Natal em que fomos pra Porto Alegre (minha família materna é de lá), disse que o nosso Natal era uma renovação de amor. É exatamente isso. Não importa quanto tempo fiquemos sem nos ver, o amor é enorme e eterno.

Outra campanha que levanto a bandeira é a de que um filho é pouco, pois todo mundo merece um irmão. Sem dúvida, a vida é outra com eles. Mas isso é assunto pra outro post!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Não faz sentido! - Revolta pessoal sobre o fim do BBB.

Escrevi sobre a estreia do BBB (leia aqui), e agora escrevo sobre o último dia do programa, desta vez, substituindo a expectativa pela revolta.

Não consigo entender por que a Maria ganhou o programa (sem duplo sentido, por favor). Juro que não estou falando isso por causa da biscatice (isso é assunto de outro post), mas falo devido as suas atitudes no jogo. Um programa que premiou o mestre, mito, ídolo, estou digitando em pé, Dourado, não pode dar um milhão pra alguém inconsistente e incoerente. Calma, não me xinguem, vou explicar.

Como a maioria dos brasileiros, até a metade do programa eu não torcia pra ninguém. Participantes desinteressantes, de longe a edição mais chata, e toda essa ladainha coletiva que ouvimos nesses três meses (jogados no lixo com essa final! Estou revoltada ainda). Até que o Boninho mexeu certo, e conseguiu criar história em algo que parecia perdido. Não salvou, mas tornou o BBB um pouco mais atrativo. Sai o Mau Mau que pegava a Maria. Pegação descompromissada mesmo, no sentido mais pejorativo da palavra. Aí entra o Wesley, e a Maria vai toda se querendo pra cima do doutor. Toda se querendo mesmo, no sentido mais pejorativo da expressão. Aí fica aquela lengalenga, chamego, selinho, enfim. Eis que de repente adentra na casa novamente Mau Mau. Munido das informações “a Maria está pegando outro” e “A Maria é garota de programa”, já chega rejeitando a moça. Ok, não o julgo, muitos fariam isso.

O que acontece depois? Maria deixa o Wesley de lado, que fica isolado porque entrou depois e é alvo de todos na casa. Menos um ponto pro time das meninas. A atriz vai pro ataque e começa a literalmente perseguir o Mau Mau (provocou cenas engraças, mas perdeu outro ponto), que se não se juntasse aos seus amigos-do-mal Diogo e Rodrigão e começasse a esculhambar não apenas a Maria, mas todas as mulheres, poderia ter sido vencedor.

Aí o que acontece? Maria podendo escolher entre Wesley, Janaina e Diana, coloca o rapaz no paredão com medo de quebrar o clube da Luluzinha e sofrer a revolta das meninas. Ok, Mariou, mas sempre há uma forma de redenção!

No capítulo seguinte, Maria cansa da seca e resolve ficar com o Wesley mesmo, que neste tempo estava na dele, tentando se enturmar com os homens da casa – sem muito sucesso até sua liderança -, foi para alguns paredões e jogou limpo com Mau Mau ao contar o que realmente tinha acontecido quando ele não estava na casa. Coisa que Maria não fez. Mentiu e não contou a história completa quando teve a oportunidade (menos três pontos, no meu cálculo).

Lembram da redenção? Maria tem outra chance, e adivinhem! Coloca novamente o doutor na berlinda. Meu Jesus Cristo pai amado, quando a criatura é obrigada a decidir sozinha, só dá porrada no dr.

E o Wesley? Ficou chateado, mas nem por isso a tratou mal. Quando teve a oportunidade, salvou sua “namorada”, coisa que fatalmente ela não faria. Tomou ainda alguns foras, enquanto nós ainda a ouvíamos falar do Mau Mau. Muitos aqui fora diziam “ah, é fofo mas cansa, mulher não gosta disso”. Gente, calma lá. Se o Brasil queria a vingança das mulheres contra o machismo, não era ele quem merecia levar o prêmio?

Por que eu estou revoltada? Porque eu realmente não vejo um único motivo para a Maria virar milionária. Porque se pensarmos em merecimento, ela definitivamente não merecia. Não, ela não representa a “vingança das mulheres”. Se fosse para pensar assim, deveríamos premiar o único homem da casa que não maltratou nem ofendeu nenhuma mulher. Se é engraçadinho ela ser “burra” (como esquecer do astigmatismo?), como ouvi muitos falando, também não é motivo pra torná-la rica (lembrando que seus pais são instruídos e não lhe faltou estudo). Se ficar bêbada correndo atrás de homem também é engraçado, prefiro o bêbado que dança com o coqueiro! E “ser traída” por um amigo falso não é razão para levar um milhão. Se fosse, eu estaria, pelo menos, escrevendo este post de um Iphone diretamente de Cancun. Na verdade eu estaria ditando para alguém escrever.

Agora, o que me resta? Continuo pobre, o BBB acabou, minha segunda-feira começará às 21h de domingo e não mais às 00h, e, de quebra estou revoltada com a final. Obrigada, Brasil.

domingo, 20 de março de 2011

A maldição das compras coletivas

Eu sempre me gabei por não fumar, beber, usar drogas, ser emo, e depois de vinte e poucos anos tornei-me uma viciada. Mas superei, e sim, consegui sair do vício sozinha. Na verdade, ele saiu de mim. Ele cresceu a ponto de começar a me incomodar com sua presença, e quando vi estava curada. Essa maldição chama-se compra coletiva.

Sintomas:

- A primeira coisa que você faz ao acordar é correr pro computador para ver quais são as promoções do dia?
- Já comprou tanto que não tem mais lugar na carteira para tantos cupons? 
- Já comprou coisas que sabe que nunca usaria, mas apenas por estarem baratas e acessíveis?
- Já fez barraco porque o PagSeguro deu pau e você não conseguiu efetuar a compra?
- Decorou o número do seu cartão de crédito?
- Seus amigos estão te julgando por isso? As pessoas apontam para você nas ruas chamando-o de consumista? 

Se você respondeu positivamente a pelo menos uma das questões acima, desespere-se por apenas dois segundos: você é viciado (1,2...), mas tem cura!

Aproveite então esse espaço para se sentir acolhido, pois esta que vos fala entende o que se passa em seu coração sofredor. Sempre fomos felizes e sensatos, não extrapolávamos o cartão de crédito, e agora vivemos a base de pizza, massagens e tratamentos no cabelo, não é? Antes a alegria era vista nas pequenas coisas da vida, e agora é vista nos maiores descontos, certo?

Você nunca quis ir para Búzios por só ter pré-adolescentes, e agora já comprou quatro diárias para casal no inverno? E nem tem namorado, não é?
Já foi para Madureira fazer escova no cabelo, engordou 5kg com Brownies e tortas, passou uma semana no banheiro de tanto comer Yogoberry, sua pele está fina que nem papel de tanto peeling de cristal, sem falar que acabou com a tinta da sua impressora de tanto imprimir cupom, não foi?

Antes de pensar voltar para a internet discada para evitar a tentação, asseguro que existe solução, e não foi difícil. Primeiro, você começa a sacar a malandragem, e realmente para para (obrigada, reforma ortográfica, por tirar o acento do primeiro “pára” e estragar meu texto) ler as condições da compra. Aí já descarta metade. Além disso, os sites de compras são tantos, que é preciso entrar em outros que consolidam as compras coletivas. Sendo que cada site compra coletiva oferece pelo menos quatro ofertas por dia. Ou seja, não sobra tempo (nem paciência) para ver tanta coisa (repetida), e aos poucos você vai deixando de entrar, cansando de olhar. Escova London em Bangu, Tijuca, Leblon, Ipanema, Copa... ah, muito difícil, deixa pra lá.

No fim das contas, você volta para os bons e velhos sites iniciais, aqueles dois ou três que surgiram primeiro (ofereço publicidade paga aqui, basta me escrever), lê o assunto do e-mail e já descarta ou entra. Pronto! Tá curado sozinho, sem dor!

Frequentar três sites de compra coletiva é consumo saudável e necessário, não vício!

PS: Dedico este post a uma amiga, que foi quem me apresentou aos sites de compra coletiva e originou a expressão que eu e minha amiga Natasha costumamos exclamar sempre que surge uma nova compra ou ato consumista: DAMN, LEUZINGER!


sexta-feira, 11 de março de 2011

É Carnaval! Pode tudo!

O que está acontecendo com o Carnaval?
Podem me chamar de velha e desanimada, mas confesso que odeio essa obrigação de se divertir muito e encher a cara o dia inteiro, todos os dias. Odeio essa obrigação de ir pra bloco e fazer do meu Carnaval uma semana de fanfarronice total, sem descanso. Mas eu realmente não gosto de bloco. Até fui em uns, foi legalzinho, ok. Mas o que a cada ano já vinha me chocando, esse ano parece ter avançado anos-luz. Carnaval virou sinônimo de “pode tudo, sem limite, sem lei, sem respeito”.

Não tem banheiro nas ruas pras pessoas usarem, mas isso não significa se possa fazer xixi em qualquer lugar. Juro, eu nem me importo muito se fizerem xixi em uma árvore mais escondida, mas as pessoas fazem em qualquer lugar. Basta abrir a calça e pronto. Esconder pra quê? Quem quiser olhar, que olhe! Há duas semanas, quando alguns blocos já estavam saindo, eu voltava da praia e me deparei com um cidadão fazendo xixi na orla, sem a menor cerimônia. Passava um grupo de meninas de uns 14 anos, e o cara ficou gritando: nunca viu não? Virgens!”, rindo como se elas estivessem erradas em se espantar com a cena. É na frente de mulher, de senhoras, de crianças, casais, sem o menor respeito e educação. E o Carnaval virou sinônimo disso: falta de respeito e de educação.

É carnaval, eu posso chegar em quem eu quiser, da maneira que eu quiser. Posso ser grosso, agarrar, e não preciso nem estar em um bloco pra isso. É Carnaval, não tem hora nem lugar. Ah, também não importa se a mulher está voltando do trabalho ou simplesmente andando na rua, se tem namorado, se ele está no banheiro ou já está voltando. Carnaval é o período ideal pra ser corno mesmo.

Também posso sacanear quem eu quiser. O taxista que está trabalhando, o entregador de pizza, a gente junta em cima dele e fica pulando e cantando alalaô, com certeza vai ser engraçado! Vamos zoar também a catadora de latinha e a tia que vende cerveja. Aproveita e beija ela, vai ser engraçado! Também vamos jogar água e espuma nas pessoas. Vamos parar os carros, atravessar no meio deles com o sinal aberto, a rua é nossa! Viva a folia!

Desculpa, não é engraçado. Minha mãe sempre disse que o nosso limite termina quando começa o do próximo. Não quero ficar dando lição de moral, mas fiquei muito revoltada com algumas coisas que vi esse Carnaval, e cansada de justificar os motivos pelos quais eu não queria ir aos blocos. Se fossem só os bêbados suados, ainda dava. E ainda tem as brigas. As pessoas esquecem que, às vezes, há reação para as ações. E que você pode sim tomar porrada se chegar na mulher de alguém. E também pode tomar porrada sem ter feito nada. E tomar spray de pimenta na cara só porque estava preocupado procurando sua namorada no meio de uma confusão.

Acho lindo ver os pierrots e colombinas, as fadas, as panteras, minnies, as amigas que passaram dias combinando as fantasias, os homens vestidos de mulher, e o que mais a criatividade dos foliões inventar. É uma pena que mesmo com todo esse colorido, se antecipem as cinzas da quarta-feira – com cheiro de xixi – por causa do espírito “sem limite, sem lei” do Carnaval.

Pronto, desabafei. Próximo post vai ser mais leve, prometo! Aceito sugestões também!

PS: Não posso ser injusta. Existe uma lei que funciona sim nesta época. Choque de ordem. Vai parar seu carro onde não pode pra ver no que dá!

terça-feira, 1 de março de 2011

Backstreet Boys, 15 anos depois


No último final de semana fui ao show dos Backstreet Boys. Algumas pessoas me criticaram (pra variar). “Como assim?” “quantos anos você tem?” bla bla bla. Eu tinha que ir neste show por um simples motivo: eu posso não ter mais doze anos, mas depois de tudo o que eles representaram na minha pré-adolescência, eu tinha a obrigação de ir.

Acho que posso dizer que eu era a típica pré-adolescente leitora da Capricho (apesar de assinar a Atrevida): tinha pôsteres dos Backstreet Boys no quarto, escrevia cartas pras amigas falando deles, sonhávamos como seria o dia que os encontrássemos, chorava, ouvia as músicas o dia inteiro, e a minha maior preocupação era morrer sem conhecê-los. Éramos quatro amigas, cada uma gostava de um. Não tinha briga.

No show desse final de semana, eles mostram algumas cenas de clipes antigos (que eu sabia de cor), e quase ri alto ao ver depois de 15 anos as “piranhas vagabundas” que contracenavam com eles nos clipes que eu tanto odiava. Eu realmente queria que elas morressem - mas naquela época não tinha Twitter para incentivar esse ódio coletivo de fãs alucinadas.

A sensação que eu tenho de ver os BSB hoje é muito estranha. Primeiro, é engraçado pensar que eles são homens, casados, com mais de 30 anos, fazendo coreografias no palco. Se fosse algum amigo meu, certamente ouviria de mim o tradicional “se mata” com ar de desprezo. Segundo, ouvir as músicas que eu cantava diariamente e incessantemente durante anos da minha vida me remete a uma sensação muito esquisita. A paixão de fã é uma coisa muito real e sofrida ao mesmo tempo. Cara, eu realmente sofria muito por causa deles. Como eu chorava achando que eu era a namorada perfeita para o Brian (eu realmente achava que era) e que ele nunca iria me conhecer... Imagino que deva parecer aquela coisa de primeiro amor, que mil anos depois quando você encontra a pessoa dá um embrulho no estômago, pois você lembra como ela foi importante, o tempo passou e você não sabe mais quem ela é, de onde ela veio, o que ela fez (as long as you Love me... – tumdum tsss! Brinks!). Pois bem, acho que meu primeiro amor foi platônico. E dói, viu? Vai entender o coração de uma menina de doze anos.

Aí você cresce e descobre que “Garotos da rua de trás” não faz sentido e até acha pouco comercial (apesar de ter dado absurdamente certo), e “garotos” já não funciona mais para pais de família. E assume que eles realmente não sabiam que você existia, mas isso não machuca mais. Ah, outra coisa que muda bastante é que você não se importa mais em ouvir dos outros que eles são viados. Não mesmo. Até começa a concordar em alguns aspectos e não xinga pessoa que te falou isso. E quando o Nick dá uma de “sou sexy” você ri achando meio ridículo aquilo. Mas com respeito, claro. E começa a achá-los não tão bonitos assim. Aí descobre que o AJ nunca foi bonito. E que o Kevin não cantava mesmo.

Da última vez que eles vieram ao Brasil em 2009, consegui ir no soundcheck e tirar uma foto com eles. Lembro que fiquei pensando como ia ser poder, depois de anos, encontrar as pessoas que foram o centro da minha vida por um bom tempo. Dessa vez, eu estaria do outro lado, o da fã, e não o da representante do artista. Não tremi, não chorei, não passei mal. A sensação que eu tive foi a que sentia quando levava algum fã para conhecer seu ídolo. Você fica feliz em saber que está realizando o sonho de alguém, que aquele momento será eternizado para uma pessoa e você foi parte daquilo. Aquela fã vai te agradecer pra sempre. Foi exatamente assim que me senti. Feliz e orgulhosa de estar realizando o sonho de uma menina de doze anos, à distância.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Falando de Flamengo

Eu não me lembro quando virei Flamengo. Meus pais não gostam de futebol, não tenho irmão, meu avô era América. Mas lembro, já na escola, com uns oito anos, quando a tia Regina levou chaveiros dos times cariocas pra cada aluno escolher um. Escolhi o do Flamengo (tenho até hoje). Não sei também o porquê. Só consigo pensar que Deus me abençoou e me iluminou quando criança, e do nada colocou o Flamengo dentro de mim.

Fico pensando por que o Flamengo é o que é. O Flamenguista não tem hora de jogo (como os outros times). Tem dia de jogo. É um dia inteiro de programação. Lembro de um amigo tricolor que em um FlaxFlu nos ligou de casa às 15h e ele realmente conseguiu chegar a tempo no estádio e assistir ao jogo. Às 15h a gente já estava lá, e já tinha passado muito perrengue. Por essas e outras, acredito que o sentimento do Flamenguista seja diferente. Você passa um domingo inteiro em função de um jogo, que a torcida adversária passou apenas uma horinha se programando. Você enfrenta calor, multidão, transporte lotado, confusão, passa no total umas cinco horas em pé! Chega em casa exaurido, dolorido, suado, nojento. Com sorriso de orelha a orelha. É um amor diferente, extremo, de entrega total.

Resolvi escrever esse post pra tentar traduzir em palavras um sentimento relacionado a futebol, mas  como não seria possível, vou narrar uma experiência própria que diz por si só. Independente de sexo, acredito que a sensação que irei descrever logo abaixo não seja exclusivamente minha.

Fui pela primeira vez ao Maracanã somente em 2003 com meus amigos-irmãos Doca e Rafinha. Fomos de metrô, eu extremamente ansiosa, o vagão lotado, todos tensos e felizes, falando do jogo. Eu quietinha olhando (de baixo), pensando nesse mundo que estava prestes a descobrir. Ao saltar na Estácio, todos saindo ao mesmo tempo pra pegar a linha 2, vejo aquela multidão rubro-negra que já desce gritando “Meeeengooo”, batendo palma, cantando. Na hora fiquei toda arrepiada. Queria muito ser parte daquilo.

Chegando na estação do Maracanã, descemos a rampa da UERJ (não era clássico), e avistamos aquela multidão de vermelho e preto. Cara, eu queria muito ser parte daquilo. Enquanto eu descia a rampa meu coração batia muito forte. Pra entrar no estádio, aquela muvuca esmagada, todo mundo esperando grudado o momento de os policiais liberarem mais uma leva de torcedores pra entrar. O Doca e o Rafinha me escoltando na multidão com medo de eu ser esmagada ou morrer sem ar (lembrem-se que com 1,50m fico pelo menos 20cm abaixo de todos a minha volta), me passando as instruções: “cuidado com o ingresso”, “fica ligada em mim”, “tá tudo bem?”, “qualquer coisa segura na gente”, “segura o ingresso”, “fica ligada que vai liberar”.

Minha mãe nos obrigou a ir de arquibancada branca (receosa da minha morte). Lembro de nós sentados, eu de frente pra Raça, repetindo pra eles “quero ir pra lá!”. Eles só me diziam que não, “prometemos pra tia Lili que ficaríamos aqui, vamos ficar.”. Como toda mulher, em pouco tempo de insistência e chantagem, estávamos na verde.

Depois desse dia, logicamente, passei a ser freqüentadora. Não existe nada mais lindo do que a barulheira dos gritos uníssonos, dos olhos dos torcedores fixados no campo, mesmo vazio antes da entrada, enquanto gritam com toda a força músicas de incentivo, hinos, palavrões. E o cheiro de fumaça dos rojões? O aperto, as horas em pé, procurar um lugar em cima de uma cadeira (pra mim faz muita diferença). Como eu passei tanto tempo da minha vida sem conhecer aquilo?

De repente, todos no estádio param de batucar, cantar e gritar. Param o que estiverem fazendo e estendem as mãos para frente tremendo. E como em um mantra, entoam um “meeeeeengo....”, num tom mais baixo. Ao repetir “meeeengo....”, o Maracanã inteiro já está em uma outra sintonia, aguardando a entrada de seus guerreiros, dos homens que nos fizeram passar horas de expectativa e cansaço, que serão aclamados, naquele momento, como em nenhum outro lugar. “meeeengo”.... lembro daqueles milhares de braços estendidos ao meu redor, grande parte deles arrepiados. Todo esse universo era muito meu.

Podia ser mais fácil e confortável? Podia. Mas se fosse, não seria Flamengo. Se fosse, não seria tão grande, nem o time, nem a torcida, nem a paixão. Eu não quero assistir ao jogo sentada. A dor nas pernas, o suor, tudo isso faz parte. E é apenas uma parte do que posso oferecer pro Flamengo, além do meu apoio, do meu grito, que fazem com que, unidos com o dos outros, transformem um time em algo muito maior. E tudo isso, sem  Flamengo ter precisado pisar em campo. É inexplicável.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Situações da vida mundana

Pra não perder o costume de postar toda semana alguma coisa, resolvi compartilhar o e-mail que recebi de um amigo. Essa semana foi super corrida e não consegui escrever nada, mas quando o Fofinho me mandou esse e-mail, não pensei duas vezes, vale eu abrir esse espaço para ele.
Tudo isso apenas pelo fato de ele ter me visto (era eu mesma) no ponto de ônibus.

"Lena, ontem eu vivi uma situação mto constrangedora para mim com relação a vc...

Eu tenho astigmatismo e enxergo mto mal de noite. Ontem, lá pras 22h, estava andando na Pinheiro Machado e te vejo parada no ponto de onibus (ou pelo menos achei que era vc), ai acelerei o passo pra ir falar contigo. Na hora que eu estava bem perto já, com o sorriso prestes a engrenar no meu rosto, você estende o braço, fazendo sinal para o ônibus. Eu penso: "Fudeu, se eu falar com ela agora vai ficar uma situação escrota pq:
- Nós somos amigos e deveríamos parar para nos falar, se ela fizer isso, ela perde o - já raro - 584
- Se ela me der um tchau e pegar o ônibus, vai ficar aquele lance de: pow, prefiriu pegar o ônibus a falar comigo....

Então, desacelerei o passo para você não me ver, o problema é que o ônibus parou antes do ponto e você começou a andar na minha direção para pega-lo. Nesta altura, eu já estava muito perto de você e completamente envolvido na situação de que você não deveria me ver. Comecei a andar pro lado mas haviam umas grades. Fiquei nervoso, parei e FODA-SE no meio da rua, encostado na grade, de costas pra vc, até vc pegar o ônibus e ele ir embora....

Terrível neh? Depois fiquei me sentindo meio esquisito por ter feito tanto estardalhaço disso...."

Detalhe: O Fofinho tem quase dois metros de altura, é bastante grande (sendo eufemista), e eu realmente não o vi! Achei sensacional essa situação que ele passou e os momentos de tensão a troco de NADA, mas não o julgo por isso. Às vezes a gente passa por umas situações que criamos e depois ficamos pensando o quão ridículos somos por ter feito isso ou aquilo. Por exemplo, quando você não quer falar com alguém e finge que está dormindo no ônibus, ou finge que está falando no celular (torcendo pra ele não tocar no seu ouvido e te deixar surda e desmascarar a farsa, já pensando em como será sua atuação caso você precise dizer "ué, caiu?"). 

Tenho uma amiga que não sabe como agir na obrigação de conversar com alguém que não tem intimidade ou que simplesmente não queria estar falando mesmo, aí acaba soltando um "poxa, bom te ver!" e depois pensa "que frase foi essa?", e encontra com seu ex chefe, e no nervosismo de estar sem graça e com sorriso amarelo, toca no rosto dele e diz "tá bonito!", para depois de matar seus amigos de rir, ficar se questionando o porquê de ter feito aquilo. 

Viu como esses impulsos ridículos rendem histórias legais? (ou não, mas servem para, pelo menos, zoar os amigos).


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A justiceira

Sempre digo que Deus acertou em me fazer mulher e pequena. Porque se eu fosse homem e forte, estaria preso ou morto.

A primeira vez que percebi isso foi quando fui pela primeira vez no Maracanã ver o jogo do Mengão. Foi em 2003 (PAUSA: meus pais não gostam de futebol, não tenho irmão mais velho), quando fui assistir Flamengo e Santos, pelo Brasileiro, com meus amigos-irmãos Doca e Rafinha. Na ocasião, estreei pé-frio, tomamos de 2x0. No momento em que vi aquela torcida ínfima do santos saltitando num canto espremido do estádio (santistas me xingando em 3,2,1...), minha vontade era de ir lá e quebrar todo mundo. Não me julguem, existem sentimentos que são inexplicáveis, talvez se eu fosse homem e forte, não faria absolutamente nada, mas a vontade naquele momento era de ser homem e forte e ir lá bater em geral.

Depois desse dia comecei a pensar sobre isso, como existem coisas revoltantes, que dão vontade de sair quebrando tudo, fazendo com que as pessoas sofram mesmo, sabe? Nessas horas, podia ter um dia só, o dia da justiça, sei lá, que a gente se transformasse num justiceiro e tivesse carta branca para qualquer reação descontrolada. Digo reação e não ação, pois não seria nada gratuito, sempre (ou quase) por motivos justos, outras vezes nem tanto.

Exemplo: final de semana passado fui pra praia de carro com a família. Maldita ideia. Depois de quase 40 minutos atrás de vaga, o ódio toma conta do nosso ser. Aí você vê aquele carro ocupando duas vagas, onde você poderia estacionar. O justiceiro sairia do carro arranhando a porra toda! Furava pneu, quebrava vidro, olha que lindo! Ou então quando vem outro ser maldito e motorizado e pega a vaga na sua frente. Maluco, o Justiceiro pega a bazuca e mata mesmo!! Ah, e ainda por cima é proibido estacionar na Lagoa! CACETAA, ninguém anda naquele pedaço do meio, por que não pode parar lá???? Vontade de arrancar as placas de proibido no dente, e depois jogar dentro da casa de quem tem piscina e não sabe o quão estressante é procurar vaga no calor!

O Justiceiro seria útil também com furadores de fila, pessoas que fingem que dormem no metrô pra não ceder lugar pra idosos, caixas e vendedores que nos atendem mal, bandas que usam cabelo estranho e calça colorida (emos me xingando em 3,2,1...), isso sem falar nos filhos do demo que maltratam os animais e merecem sofrer muito antes de morrer podre.

Ah, não posso esquecer que o justiceiro ia invadir as sedes das companhias telefônicas (todas, sem exceção) e bater muito em todo mundo (me admira ninguém nunca ter feito isso de verdade)! Na galera que atende e desliga o telefone na nossa cara, e nos chefes deles que fazem do Brasil o pior serviço do mundo e não fazem nada pra consertar isso. E explodia o congresso também, mas antes tirava de lá o pessoal que serve café, faz faxina e outros serviços honestos com estes. Fim.

Tô bem leve agora.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Santa biscate


Resolvi escrever sobre algo que me deixa muito irritada. Talvez eu até seja xingada, minha mãe diz que eu sou radical demais, mas eu realmente não tenho a menor paciência para biscate que se faz de santa. Pra quem não entendeu, biscate aqui são aquelas mulheres que não são consideradas de “família”. Sem querer ser grossa, mas sendo, piranha. Atentem que eu não estou falando que não tenho paciência para piranha. Não tenho para as que se fazem de santa.

O que me fez escrever sobre esse assunto foi o BBB (olha ele aí!). A moça do “falso estrabismo” (reitero que a partir de hoje tenho falsa estatura reduzida), disse que não poderia ficar com rapaz porque seu pai estava olhando. Aí a dita cuja fica bêbada na festa e resolve beijar mulher. Atentem que ela não é homossexual, se fosse não teria problema algum. Mas a questão é que ela beijou mulher de “modinha”, de “fanfarronice”. Nessa hora esquece-se o pai, né? É isso que me incomoda, a pessoa que fica se fazendo de santa, mantendo uma postura totalmente fake. Bebe, fica doida, e mostra seu verdadeiro lado, da biscatice.

Confesso que admiro muito mais as mulheres que vestem a camisa do “pego mesmo”, pois pelo menos elas não fingem ser algo que não são. Não estou aqui questionando se o fazer ou não é certo ou errado, seja lá o que estiverem pensando. A questão é a imagem que essas santas biscates pretendem passar de algo que não é verdadeiro.

Por exemplo, a mulher conhece um cara que está de casamento marcado. Vai se envolver com ele? Não!!! Desculpe, mas todo “amor a primeira vista” é controlável quando ainda não há envolvimento. Ou vai me dizer que em um ou dois dias você não consegue mais viver sem aquela pessoa? Pra essas coisas existe terapia. E pra mim, se você percebe que está se envolvendo por um cara de casamento marcado (ou comprometido) e não cai fora, é biscate (nessa hora que me dizem que sou radical). Não estou em momento nenhum tirando a culpa do homem (isso dá assunto pra outro post), a questão aqui é a mulher. Cada vez menos as pessoas têm um mínimo de consideração e respeito por quem não conhecem. “Ah, vou ficar com ele, nem conheço a namorada mesmo”. Se for namorado de amiga e parente não pode. Gente, não importa se você não conhece, você vai causar muito sofrimento pra uma terceira pessoa. Mas e daí, né? (ironic mode on)

Acho que as santas biscas pensam: o que minha mãe diria se soubesse disso? Lógico que depende muito da sua mãe (Gretchen e Britney Spears são mães, mas temos a Fátima Bernardes, a Sandy vai ser...). Aí se a progenitora iria repreender, a solução é fingir que não faz, em vez de pensar nos sábios conselhos da matriarca (ou vai dizer que “não falei, filho” não foi a frase mais ouvida por todos nós?).Aí surge a figura da santa biscate, que tanto me irrita. E o pior é que ela é sempre acompanhada de jeito meigo e fala fofa (o que incomoda muito mais).

Antes de encerrar, preciso dizer que qualquer associação com qualquer pessoa é mera coincidência, assim como qualquer semelhança da novela das 21h com a vida real também é mera coincidência. E se você está com raiva de mim e vai xingar muito no twitter (piadinha pra descontrair), reflita se você é biscate santa ou não. Se a resposta for a segunda opção, relaxe e espere um próximo post!