sábado, 29 de janeiro de 2011

Santa biscate


Resolvi escrever sobre algo que me deixa muito irritada. Talvez eu até seja xingada, minha mãe diz que eu sou radical demais, mas eu realmente não tenho a menor paciência para biscate que se faz de santa. Pra quem não entendeu, biscate aqui são aquelas mulheres que não são consideradas de “família”. Sem querer ser grossa, mas sendo, piranha. Atentem que eu não estou falando que não tenho paciência para piranha. Não tenho para as que se fazem de santa.

O que me fez escrever sobre esse assunto foi o BBB (olha ele aí!). A moça do “falso estrabismo” (reitero que a partir de hoje tenho falsa estatura reduzida), disse que não poderia ficar com rapaz porque seu pai estava olhando. Aí a dita cuja fica bêbada na festa e resolve beijar mulher. Atentem que ela não é homossexual, se fosse não teria problema algum. Mas a questão é que ela beijou mulher de “modinha”, de “fanfarronice”. Nessa hora esquece-se o pai, né? É isso que me incomoda, a pessoa que fica se fazendo de santa, mantendo uma postura totalmente fake. Bebe, fica doida, e mostra seu verdadeiro lado, da biscatice.

Confesso que admiro muito mais as mulheres que vestem a camisa do “pego mesmo”, pois pelo menos elas não fingem ser algo que não são. Não estou aqui questionando se o fazer ou não é certo ou errado, seja lá o que estiverem pensando. A questão é a imagem que essas santas biscates pretendem passar de algo que não é verdadeiro.

Por exemplo, a mulher conhece um cara que está de casamento marcado. Vai se envolver com ele? Não!!! Desculpe, mas todo “amor a primeira vista” é controlável quando ainda não há envolvimento. Ou vai me dizer que em um ou dois dias você não consegue mais viver sem aquela pessoa? Pra essas coisas existe terapia. E pra mim, se você percebe que está se envolvendo por um cara de casamento marcado (ou comprometido) e não cai fora, é biscate (nessa hora que me dizem que sou radical). Não estou em momento nenhum tirando a culpa do homem (isso dá assunto pra outro post), a questão aqui é a mulher. Cada vez menos as pessoas têm um mínimo de consideração e respeito por quem não conhecem. “Ah, vou ficar com ele, nem conheço a namorada mesmo”. Se for namorado de amiga e parente não pode. Gente, não importa se você não conhece, você vai causar muito sofrimento pra uma terceira pessoa. Mas e daí, né? (ironic mode on)

Acho que as santas biscas pensam: o que minha mãe diria se soubesse disso? Lógico que depende muito da sua mãe (Gretchen e Britney Spears são mães, mas temos a Fátima Bernardes, a Sandy vai ser...). Aí se a progenitora iria repreender, a solução é fingir que não faz, em vez de pensar nos sábios conselhos da matriarca (ou vai dizer que “não falei, filho” não foi a frase mais ouvida por todos nós?).Aí surge a figura da santa biscate, que tanto me irrita. E o pior é que ela é sempre acompanhada de jeito meigo e fala fofa (o que incomoda muito mais).

Antes de encerrar, preciso dizer que qualquer associação com qualquer pessoa é mera coincidência, assim como qualquer semelhança da novela das 21h com a vida real também é mera coincidência. E se você está com raiva de mim e vai xingar muito no twitter (piadinha pra descontrair), reflita se você é biscate santa ou não. Se a resposta for a segunda opção, relaxe e espere um próximo post!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Dura realidade aos oito

Estava lembrando de quando houve aquele plebiscito em 1993 para o povo votar se queria um regime republicano ou monarquista, e se seria presidencialista ou parlamentarista. Na época, eu era criança e lembro de ter ficado encantada com a idéia de a monarquia voltar. Teríamos reis e rainhas pelas ruas, palácios, ouro, castelos, carruagens e tudo o que uma criança pensa ao ouvir a palavra “monarquia”. Imagina só estar andando na rua, aí toca uma corneta no estilo Cristóvão Colombo-bo-bo (do Chapolin), e vem aquela carreata toda colorida, com o rei com cetro cheio de diamantes, acenando para o povo?

Como alegria de criança também dura pouco, não demorou muito para meu sonho infantil cair por terra. Nas vésperas da votação encontrei uma amiga que me perguntou o que eu preferia. Respondi que a monarquia, lógico. “Você é maluca??? Se a monarquia voltar, o Brasil vai voltar a ter escravos! Todos os nossos amigos negros e de pele mais escura vão voltar a ser escravos, a trabalhar pros outros, vão apanhar e até morrer! Nem vão ter comida e casa! É isso que você quer???”.

Pronto. Acredito que esse tenha sido o meu primeiro choque de realidade, pois só depois disso que eu soube da não existência do Papai Noel e Coelhinho da Páscoa (se você tem menos de 10 anos, pare de ler aqui, e tudo que escrevi acima é mentira, ok?). Confesso que os dois últimos me traumatizaram mais, pois além da dor de perder dois seres muito amados, seus pais te fizeram de otário a vida inteira, você deve fingir que acredita para seus irmãos mais novos e não pode contar nada para os seus amigos!

E as horas que eu perdi na janela esperando o papai Noel? E as cartas que eu escrevi? Será que ninguém ouviu falar em desperdício de papel não? Como fui burra em não perceber que a patinha no chão do corredor era talco! Então todos sabiam que eu estava mentindo quando disse que já tinha visto os dois? E o pior: me comportei bem o ano inteiro para nada??

E depois dizem que vida de criança é fácil...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sim, eu assisto BBB!



E começou o Big Brother! Sim, eu assisto BBB. A sensação que eu tenho quando as pessoas me criticam por assistir BBB é a mesma que eu sinto quando me dizem que eu sou favelada e desdentada por ser Flamengo. A questão é: por que eu não posso ver o programa? Não, eu não quero ser intelectual às 22h depois de um dia inteiro de trabalho. Pra pensar nos problemas do mundo, já basta o jornal que eu leio. Pra falar sério, já basta o trabalho. Pra estimular o intelecto, já bastam os shows, CDs, livros e principalmente as conversas que eu tenho. Por que cargas d’água eu não posso ligar a TV pra ver um programa que me faça “não pensar”? Eu não tenho o direito de me alienar uns minutos antes de dormir?

Acho muito mais produtivo assistir BBB, mesmo que seja para teorizar sobre a sociedade e seus valores, poder ter conversas relaxadas na hora do almoço, fofocar sobre quem optou por ser “fofocado”. “Você fica torcendo pra um cara que vai ganhar 1 milhão e você vai continuar pobre!”. Ok, e seu eu não torcer pra ninguém eu vou ganhar um milhão então? (Lembrei do papo do futebol de novo, das críticas  por torcermos por um monte de caras correndo atrás da bola, mas isso é assunto pra outro post).

Me dei a liberdade de falar sobre o primeiro dia de BBB, que está parecendo A Fazenda cheio de celebridades (temos a Geisy Arruda, Diogo Nogueira, Bombom, o Gregório do ZÉ e a Pocahontas duvidosa). As promessas de primeiro dia de BBB são como promessas feitas na virada do ano. Amizades eternas, um milhão de abraços – isso me irrita muito -, mergulhos na piscina gelada de noite, brindes com brados de “esse vai ser o melhor BBB ever!”, intimidade extrema com recém -conhecidos, gritos com os braços abertos e olhos fechados na chuva, ou seja, coisas que se você fizesse fora da casa, fatalmente seria julgado.

Eu poderia falar também da minha tensão com a Pocahontas e seu segredo, mas deixaria esse post longo demais. Não posso deixar de comentar sobre a atuação excepcional do Dourado – mito, ídolo, Deus, estou digitando em pé – no final do programa e sobre os tops que estão voltando à cena e em breve estamparão as vitrines de todo o país.

Se você não gosta simplesmente porque não gosta, acho digno. Ninguém tem a obrigação de ver o que não quer. Se você se acha inteligente demais pra tanta futilidade, pode ligar na TV Senado. Mas tirem as crianças da sala, pois a podridão neste último é bem mais chocante.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Lei universal do banho entre irmãos


Engraçado como desde criança burlamos leis e regras, sejam elas quais forem. Sem querer ou de propósito acabamos quebrando algum mandamento, fazemos coisas erradas, a mãe diz que não e o filho faz escondido. Dizem até que as regras foram feitas para serem quebradas. No entanto, existe uma, e somente uma, que acredito ser a maior regra universal, que nem o mais valente humano desalmado quebraria: a lei do banho entre os irmãos.

Digo isso pois há pouco tempo estava na praia com uma amiga, um calor carioca do cão, aquele sebo de areia + sal + fumaça de queijo-coalho + suor e pensávamos na alegria de ir pra casa e tomar um banho. Foi quando bradei a frase: “primeira a tomar ba-nho!”. Minha amiga olhou para o chão e tristemente falou: “segunda”. Neste momento percebi que nunca, na minha vida, havia dito essa frase para alguém que não fosse a minha irmã, e minha amiga apenas respondeu como os irmãos que não tiveram a perspicácia de lembrar primeiro.

A lei do banho é algo instintivo, ninguém ensina, ela simplesmente acontece de maneira natural. Todos os irmãos fazem, e ninguém nunca comentou sobre isso com os amigos. E esta, esta sim é uma lei que não é quebrada. Repare. Se o irmão fala que é o “primeiro a tomar ba-nho!”, o outro (ou outros - dependendo da quantidade vale falar rapidamente segundo, terceiro e quarto) não tenta correr antes para entrar no chuveiro. Também não tenta dizer que já havia falado antes, bater no irmão, chantagear ou chorar pro pai. No máximo tenta argumentar que está mais sujo ou mais cansado, quase sempre sem sucesso, e é obrigado a engolir a dor e angústia de ser o segundo. Esta sensação, inclusive, é muito importante para a formação da criança, que aprende na pele a lei do mais forte, sem ser necessário a morte para tal.

É notório como os irmãos, não importa a idade nem quantos sejam, respeitam a lei do banho, por mais que briguem, se odeiem e peguem as coisas um do outro. Note também que a frase não é dita com qualquer entonação. A pausa estratégica no “ba-nho!” é essencial para o funcionamento da regra.

O dia em que um irmão ouvir o outro dizer “primeiro a tomar ba-nho!” e chegar em casa e correr para o chuveiro antes, aí sim podemos começar a rezar, pois o mundo estará perdido.