quinta-feira, 17 de março de 2016

Why Lula is the new Bruno?

"O goleiro Bruno era meu ídolo. Ídolo de uma nação de Rubro-negros (e nação mesmo, somos muitos, somos infinitos).

Aí um dia você acorda e estavam falando que seu ídolo tinha matado alguém. "Afff que ridículo, óbvio que não.". Apura, investiga, preso. "Afff, óbvio que não. Coitado! Injustiça!".

Aí passa o tempo, mais provas... "Afff, duvido, não é possível... Mas será?".

Hoje, anos depois, sim, foi. Vou te falar, demorei a aceitar. Até hoje eu espero lá dentrinho do coração que apareça algo que comprove o contrário, mas na real sei que não vai acontecer. É a verdade e eu tive que lidar com a situação de que meu ídolo não prestava.

É uma sensação estranha porque ele já tinha representado muito pra mim. Bruuuno defendeu, Bruno mito, vai colocar a cueca em cima da calça e sair voando. Doeu aceitar.

Eu sei o que o Lula representou para o povo. Eu sei porque tinha o exemplo em casa. Eu com 5 anos tinha blusa e botom de estrelinha do PT. Eu vi a decepção dos meus pais em ver um cara que foi pra eles o símbolo da salvação de um país ser investigado como corrupto. 

Mas meus pais são sábios. Eles já aceitaram, tem tempo, não precisou de lava-jato. Foram bem mais rápidos que eu pra aceitar que o Bruno era assassino.

Preciso deixar bem claro que eu não estou aqui comparando crimes, não estou comparando assassinato com corrupção. Eu estou pura e simplesmente falando sobre aceitação pessoal de situações.

É sim difícil aceitar. É que nem quando mães precisam aceitar que seus filhos são bandidos. Eu também demorei a aceitar que a Bebê Laurinha (minha cachorra) era o demônio da tasmânia ("minha filha comeu o sofá?? Duvido!"). E que mais uma partida no Playstation 4 demora quase meia-hora e ele sempre soube disso, não é rapidinho como ele te falou.

É difícil deixar o emocional de lado para aceitar o racional. Quantas amigas suas (ou você) não se envolveram com um cara babaca, apaixonada, mas no fundo a razão sempre dizia "sai dessa, você tem provas de que ele não vale nada". Sempre é ruim. Sempre dói.

Mas uma hora você precisa acordar e aceitar os fatos. FATOS. 

No final, vai ser melhor. Vai doer seu ego e seu coração. Mas vai ser melhor sim. Pro povo."

Eu tinha escrito esse texto semana passada, no dia que o povo tava se degladiando sobre o Lula ser investigado, mas não postei porque as pessoas são malucas e insuportáveis. Hoje ele foi nomeado ministro. Então eu só fiz esse parágrafo pra dizer que não tem jeito e que eu to me sentindo que nem quando você pergunta pra professora se a prova pode ter consulta e ela te ignora. Ou pergunta pra sua mãe se pode só hoje não comer a salada ela nao so te obriga a comer a salada E também uma fruta (ou seja, voce tá muito ignorado e mais ferrado). 

O que me consola é que eu pelo menos só bati palma pra bandido antes de saber que ele era, de fato, um bandido. 

PS: tirem o Bruno da cadeia e coloquem em outro time. É a mesma coisa. 

PS2: já tirei a Bebê Laurinha do castigo também.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Diário de bordo - literalmente

Voo RJ -SP pro show de lançamento da Malta ontem de noite.
Decolamos, voo vazio, bastante turbulência, Lena tensinha, tripulação, preparar para o pouso.

O avião foi descendo e de repente, do nada, acelerou e subiu loucamente como se não houvesse amanhã. "Isso não está acontecendo comigo". Do meu lado, falam a palavra proibida: "arremeteu", como se fosse a coisa mais normal do mundo. Começou o desespero da minha vida. Arremeteu. No dicionario de sentimentos Lena Pelosi, Arremeter equivale a "vamos conversar", "não pega internet" e "você viu que apareceu na globo.com?".

Piloto: "tivemos que mudar a nossa rota pois começou a chover muito forte em SP e o aeroporto fechou". Que legal, amigo. Não podia ter sabido disso dois minutos antes? 
"Nosso próximo pouso está previsto para 19h10". Ok, 15 minutos de tortura. Enquanto isso, turbulência sem fim, andando em círculo, reza sem fim. 
Culpa minha, que vim sem meu escapulário. Por que eu estava passando por essa provação?? Logo eu que nunca gostei dessaporra de avião. Reza pai nosso, enjoo, reza ave maria, dor de barriga, implora pra Deus, avião tremendo. 

Eu estava na 2a fileira, e o aeromoço do demo me manda: "daqui a pouco o piloto fala onde a gente vai pousar. Até porque senão acaba o combustível, e se precisar voltar pro RJ vai precisar". Que legal, amigão! Tudo o que eu precisava ouvir. Na fileira atrás, um senhor estilo Drauzio Varela estava percebendo meu desespero - até porque nessa hora eu tava rezando cada vez mais alto  - e cada vez que eu olhava pra ele, ele fazia um joinha tipo "calma, fia". 
Tempo passando, avião balançando, nada de piloto se pronunciar, lembrei da Beta falando que o Credo é a oração mais poderosa que tem, e tem que rezar três vezes, e eu não sei decor o final. Rezei três vezes, balançava muito, dai então vamos pra seis, e na sequência seus múltiplos. Era eu rezando o Credo em múltiplos de três, pedindo perdão pra Deus por esquecer o final e ele não ficar bravo, avião balançando, segurando a mão na posição de calma do yoga, faz hoponopono, reza pra não vomitar, aí o avião balança, para e reza pra não balançar, dor de barriga, reza pra não  se borrar, é muita coisa pra rezar ao mesmo tempo, preciso de ajuda de mais gente porque eu sou uma só!

Aeromoço do demo: "talvez a gente pare em campinas ou guarulhos também. Aí pega conexão". Amigo, vamos parar na água, mas vamos sair do céu, pfvr?

Minha pressão começou a cair e eu comecei então a me animar com a ideia de desmaiar. Pelo menos meu sofrimento passa e quando eu acordar vou estar em algum lugar. É isso, boa, vou desmaiar. Mas e se eu vomitar e desmaiar e me engasgar com meu próprio vômito e o avião pousar de boas, eu vou ter morrido à toa. Melhor não desmaiar. Levanta a perna, reza agora pra não desmaiar. 

Deus, qual o sentido disso? Eu não posso nem rezar pro meu vô que era piloto me proteger porque eu li umas vez que faz mal pedir ajuda de quem já se foi porque podemos atrapalhar o processo de desencarno dele, e eu não ia fazer isso com meu vô. AHHHH meu anjo da guarda! Começa a rezar pelo anjo da guarda: "meu anjinho, chama seus migos anjos das pessoas aqui do avião, do piloto, do Drauzio, da Fernanda Paes Leme que tá aqui também. Ajuda".

Depois de uns 50min, lembro que minha mãe deve estar já no site da infraero pra saber o que houve com o avião que não chegou (sou filha fofa e sempre aviso). Aí comecei a rezar pra que minha mãe esquecesse e não se desesperasse. Gente, vamos dividir a reza. Fê reza pelo avião, seu drauzio pra eu não vomitar e desmaiar, e eu pela minha mãe não se desesperar, e todos pro aeromoço do demo não falar mais nada hoje.

"Preparar para o pouso em Congonhas". Miga Fê me olha: "agora vai!". Drauzio faz joinha. Pai  nosso, ave maria, Credo versão 80%, Pousamos. Salva de palmas, reza pra agradecer.

sábado, 14 de novembro de 2015

Just pray

Pray for Paris. Reze por MG. Reze, ore, emane energia, luz branca, faça oferenda. Faça o que você quiser, da sua forma, mas faça o bem. O mundo se acabando e as pessoas criticando por quem o outro está rezando. Acho que por isso estamos vivendo nesse lixo. Em vez de cada um fazer o seu, prefere perder tempo criticando a forma e o que o outro está fazendo. Chegamos agora ao cúmulo de perder tempo analisando a reza alheia. Menos, gente. Bem menos.

Quando acontece um desastre, não importa se ele foi a 5 ou 50000 de km de distância de você, sabe por que? Porque todos somos iguais. Muda a língua, a cara, a moeda, mas na real, somos todos iguais. Somos todos seres humanos, filhos de Deus (ou de quem você acreditar), seja no Brasil, seja em Paris, somos todos iguais. Todos numa humanidade louca ensandecida que precisa muito, muito mesmo de oração. Reze pelo mundo, pela humanidade. Nao por esse ou aquele, porque precisamos de muito mais. O mundo precisa disso. Mas isso é só uma sugestão minha, se você quiser direcionar sua oração pra um lugar, ótimo! Você continua fazendo o bem e isso vai ser sempre bom. O universo agradece de qualquer forma.

Então, meu pedido encarecido: pare de criticar e meter o bedelho na reza do amiguinho, e faça a sua parte. Se puder colocar mãos à obra e ajudar de outras formas, melhor ainda. Ligue pra sua mãe e peça pra ela rezar, reza de mãe é porreta. Todo mundo precisa de oração, de energia boa. Faça sua parte, sem olhar pro lado.
Estamos todos no mesmo barco. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Corpo perfeito, sem gentileza

Ontem quando eu li a matéria falando sobre o corpo da Fernanda Gentil na praia eu fiquei com muita raiva. Raiva mesmo. Primeiro porque eu adoro ela. Segundo porque a Fernanda não vive da bunda dela e sim da cabeça - nada contra quem vive do corpo, mas sou da teoria de que você só pode ser cobrado pelo que se propõe a fazer de melhor. Ou seja, se você é médico, tem que exercer a medicina direito, se é professor, tem que ensinar bem, se vive da sua bunda, nada mais que a sua obrigação é que ela seja perfeita. Terceiro porque ela, logo ela, que é uma das pessoas mais simpáticas e queridas da TV, ótima profissional e super discreta, tava lá de boas na praia e alguém se acha no direito não só de fotografá-la, mas de escrever uma matéria falando mal do "corpo não perfeito" (na visão de quem? ah tá). Aí me coloquei no lugar dela e fiquei pior ainda, porque por mais que eu possa dizer que tô cagando pra opinião dos outros, ser criticado incomoda sim.  Não importa por quem seja. E criticado e exposto a troco de nada, é revoltante.

Depois rolou desculpas, desculpas aceitas por ela (fofa, porque eu sou rancorosa e não desculpava não. Nota mental: preciso evoluir ainda), vários comentários, blogs e sites falando do assunto, e o mais interessante e que mais me marcou foi o texto de uma coleguinha (porque assim como a Fernanda e a pessoa que escreveu a maldita matéria, eu também sou jornalista, rá) em que ela encerrava falando "somos todas Gentil" (queria ter pensado nessa frase primeiro, link dela aqui). E somos mesmo. 

De todas as mulheres que eu conheço, e quando eu digo todas são todas mesmo, desde a mais bela (pelos olhos da nossa sociedade) até a menos bem afeiçoada (também pelos olhos dessa nossa sociedade do demo), nenhuma está satisfeita com sua aparência. Nenhuma mesmo. Cara, que coisa terrível. Como é que nós viramos isso? Por que fazemos isso conosco? E eu tô me incluindo bonito aqui nessa análise. Eu malho que nem uma condenada todos os dias, mesmo sem tempo pra dormir direito trabalhando que nem uma condenada. Faço dieta, gasto uma fortuna tentando melhorar esse meu cabelo ralo, eu gasto uma babada de creme pro olho, pra testa, pro corpo, até pra mão tem creme. Aí eu paro às vezes e penso "foda-se essa porra, não vou gastar mais, não sou perfeita, é isso aí. Goste quem gostar!". E no dia seguinte já to la no ebay encomendando colágeno. 

E o engraçado é que ninguém nunca cobrou que eu fosse assim ou assado. Só eu. Ninguém me falou que eu tinha que ser magra, sarada, ou sei lá o que. Só falam que eu tinha que ser mais alta (1,53m foi meio vacilo comigo, mas beleza). E olha que se tivesse como, com certeza eu já teria feito alguma coisa (obs: médicos, não inventem nenhum método porque não tenho mais dinheiro pra gastos com altura, ok? brigada de nada). 

E outra coisa, os homens também não ajudam muito, vai. Sim, nós fazemos tudo isso pra impressionar a eles também. Eles podem não nos cobrar diretamente. Mas ficam entre si falando dessa ou daquela, curtindo foto da gostosona que tirou foto seminua no espelho... Aí eles viram e falam "que isso, essa mulher é mó piranha", mas no fundo ficam lá babando. E não adianta falar que não. Aí a mulher normal que não tem a bunda na nuca fica frustrada em não se achar tão boa pro seu namorado/marido e começa nessa sangria doida da busca pela perfeição. E a auto estima lá no pé. Atenção, não tô culpando os homens por isso tudo. Tô culpando todo mundo, homem, mulher, indústria, mídia, geral. Apontei a bazuca giratória e vrá.

Acho que nós, mulheres, demos "sorte" por ter acontecido isso agora, e  por ter sido com a Fernanda Gentil. É óbvio que não era pra ter acontecido e que ela não merecia, mas justamente por ter sido com ela, uma mulher tão querida, pode ter sido o primeiro passo pra essa cultura obcecada pelo corpo perfeito começar a diminuir um pouco. Somos todas Gentil? Somos. Se bem que eu só queria um pouco da beleza dela, então sou mais ou menos Gentil. E um pouco do cabelo dela também, que eu acho lindo. Ok, sou só um pouco Gentil (pra descontrair porque esse texto tava muito serio).

E apesar de cada vez mais a gente tentar se padronizar fisicamente, Deus fez cada um de um jeitinho, né? E não foi à toa. 

PS: enquanto eu escrevia esse texto tava tomando meu shake. (aqui entra aquela carinha bolada do whatsapp)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Por um 2015 com menos Selfie

A vida inteira quando eu ia tirar uma autofoto não era legal. Daí foi só mudar o nome pra 'selfie' que virou muito incrível. 

Eu não vou ser hipócrita e dizer que eu nunca tirei uma. Já tentei, mas as minhas ficam sempre terríveis. Talvez se eu ficasse gata eu nem estaria aqui escrevendo isso, mas de fato eu não fico bem. Meu braço é curto, se tá de cima minha cara fica fina, se for de baixo ela fica lua cheia, e eu sempre achei minha cara normal até inventarem esse demônio de selfie eu ser obrigada a tirar. Obrigada mesmo. Porque a pessoa vira e fala: vamos tirar um selfie? Aí você responde, "pede pra alguém bater"... "NÃO! QUERO SELFIE!".

Mas talvez seja certo que eu não saia bem porque na maioria das vezes você está sozinho. E qual a graça de ficar saindo em foto sozinho? Sua cara lá, pá. Toda hora. Sua cara. A mesma, tá ela lá. Como se ela mudasse muito. Às vezes você entra no instagram da pessoa e TODAS as fotos são a caroça dela. Gente, qual a necessidade disso? A sua cara não muda, pra que postar foto dela todo dia? A gente já sabe como você é, juro. Além disso, nada me tira da cabeça que isso é carência da braba e na verdade a pessoa quer mesmo é só ganhar elogio dos amigos. Também não vou ser hipócrita e falar que eu nunca postei uma foto só minha pra ganhar elogio. Ja fiz isso sim, quando eu tava precisando dar uma inflada no ego, tava bolada, de tpm, sou mulher, óbvio que já usei essa artimanha do demo. E aí eu escolho uma foto que eu esteja bonitinha pras minhas amigas e família me elogiarem e eu ficar feliz por dois minutos (brigada migas, toco likes sdv curto a última). Mas todo dia, ou dia sim dia não, não dá.

Não posso deixar de falar também de outra coisa que eu acho muito maravilhosa que são as selfies fake. Aquela que você  finge que alguém bateu a foto mas todo mundo sabe que foi você mesmo. Dá a sua melhor gargalhada, olha pro lado e tira sua própria foto fingindo que alguém tirou pra você. Tipo, tô aqui de boas contemplando o horizonte nessa praia e alguém bateu essa foto com um pedaço do meu braço que precisará ser cortado depois pra dar veracidade. Eu fico pensando o quão constrangedor é se você tá fazendo isso, e na hora passa alguém e te vê. Na verdade uma vez eu quis tentar fazer isso pra ver se eu saía bem (eu sou humana, não to falando que nunca fiz nada disso), e eu fiquei me sentindo tão retardada mental rindo pro além que eu saí com a mesma cara de retardada que eu estava me sentindo. 

Ah, agora tem o tão amado e odiado pau de selfie. Eu tenho um pau de selfie e ele me ajuda muito, porque meu braço é curto e você não precisa mais que alguém sempre fique fora da foto pra bater e depois dar aquela revezada. Antes você ficava com duas fotos iguais que só mudam uma pessoa, e uma sempre é excluída, o que gera inúmeros conflitos em grupos de amigos tipo os meus, que nem rola ciúme. 

No final das contas, o que tem graça mesmo é sair com os amigos, família, namorar, viajar, vida de verdade, saca? E quando você tem uma vida de verdade, é isso que vale a pena a gente curtir. Ou se você se arruma toda linda pro aniversario de alguém, uma ocasião legal, acho super válido. Mas chega de foto sozinha, da sua cara nos mesmos três ângulos todo dia.  A vida é muito mais interessante que isso.

Tudo bem que dos meus 6 leitores metade não tá nem aí pro que eu acho legal ou não, mas o blog é meu e essa é a minha mensagem pra 2015.

Então pra resumir e como eu adoro criar listinha do que pode e não pode no meu ponto de vista (e que você provavelmente vai ignorar, vide post sobre moda em academias nesse link), segue: 

1- foto da sua cara só se você estiver mega linda pra um aniversário, casamento, ou algo diferente. Algo com contexto, um bom motivo
2 - carinha de soninho acordando, não
3 - Cara de bolado de fome, insonia, não
4 - Selfie com a boca semiaberta sexy, tipo na linha tênue entre cara de modelo e cara de babaca, não. Se for modelo, sim
5 - foto seminua (ou seminu) com frases filosóficas e sobre a vida também não.
6 - se for da sua bunda com a legenda "malhei benzao ganhei 6cm de gluteo e pá" é pelo menos honesto. Sabemos o que você quer mesmo (mas lembre-se que estaremos todos no fundo dando print, mandando nos grupos e te julgando. Cuidado)
7 - Foto no mesmo espelho da academia todo dia também não. Chega, cansou, muito 2014.
8 - Foto de regata de mamilo, nunca
9 - Na verdade regata de mamilo, nunca
10 - Foto olhando pro horizonte com seu braço demonstrando que você tirou, não
11 - amiguinho que tira sua foto num lugar lindo, sim
12 - pau de selfie pra caber geral na foto, sim
13 - pau de selfie só por ser pau de selfie, não
14 - fotos com cachorro tem carta branca para tudo
15 - não tem o que postar, posta frase, mato, comida, chapolin sincero e Clarice Lispector. Agrega mais (PS: só se certifique que foi a Clarice mesmo que escreveu, porque ela deve dar umas reviradas na cova brabas).

Vamos estimular as relações interpessoais, migos? O "bate uma foto pámien, por favor?" não vai sair de moda.

Então é isso, por um 2015 com menos selfies e mais fotos com gente! 

Não me odeiem. Me sigam (@lenapelosi).

PS: Troco likes

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Carta aberta ao Papai Noel

Querido papai Noel,

Meu nome é Lena, e apesar de eu não te escrever há uns 20 anos, acho que vai se lembrar de mim, já que você não esquece de ninguém.
Resolvi escrever essa carta porque cheguei a algumas conclusões. Quando eu era criança, eu fazia besteira, coisa errada, batia na Laura, mentia pros meus pais e na escola. Escrevia cartinha pra você, e ganhava presente (o que considero bem fofo, por sinal). Aí o tempo foi passando, e eu fui crescendo e fazendo menos coisa errada. Em compensação, fui ganhando menos presente.

Ou seja, quanto mais o tempo passa, mais eu me torno uma pessoa melhor, e menos presente eu ganho. Meio injusto, não acha?

Esse ano eu trabalhei muito. Cada ano que passa eu trabalho mais. Também não briguei mais com a minha irmã (tudo bem que ela foi morar longe). Também não desobedeci meus pais (tudo bem que eu saí de casa, mas vale).Não fiz mal a ninguém, apesar de ter tomado boas rasteiras pelo caminho. Nunca fui de revidar, e olha que muita gente mereceu.
Se fiz alguém sofrer, não foi de propósito. E você não imagina como me faz mal pensar que posso ter magoado alguém. Mas eu me magoei também. E chorei um pouco. Na verdade eu sempre fui meio chorona. Algumas vezes por motivos sérios, outras por motivos banais. Chorei engarrafada, chorei de raiva, chorei vendo filme e até comercial. Chorei de frustração, chorei de saudade de quem já foi, chorei de alegria. Acho que eu merecia um presente só pelo quanto que eu chorei, independente se eu tinha razão ou não.

Mas também, eu ri muito. Ri de mim, ri dos outros, ri das mesmas piadas eternas dos meus amigos, ri de ficar sem ar e me debater na mesa do trabalho. Também fingi muitas vezes que tava rindo só pra não deixar o outro sem graça (sou legal, vai). Outra coisa que eu fiz também foi tentar fazer os outros rirem. Eu sei que sou meio metida a engraçada, mas acho que só de fazer alguém rir eu merecia um presentinho, vai?

Eu tentei cuidar mais de mim, até morena fiquei, te juro que tô tentando fazer tudo certo. Tô tentando ajudar quem eu posso também, pode perguntar pra Deus que ele vai te falar que
eu fui uma boa pessoa esse ano. Não só esse ano, eu sempre fui. Mas de verdade, acho que estou melhorando.

Tudo bem que estou bem menos paciente, mas isso não é motivo pra eu ficar sem presente, concorda? Inclusive, posso te mandar uma lista de quem você não pode dar presente, porque sei que vai ter gente te escrevendo se fazendo de bonzinho, mas fica ligado que é kao.
Papai Noel, quase esqueci! Eu adotei um cachorro! Agora sou mãe de uma vira-lata, e acho que nós duas merecemos um presente. Se tiver difícil, pode ser só o dela, já que agora tenho espírito maternal aflorado.

E como já tem 20 anos que eu não te escrevo, acho que não custa você me dar um presente esse ano... Eu preciso de tanta coisa, que a lista vai em anexo. Se bem que acho mais fácil me dar em dinheiro que eu escolho, pode ser? Pode colocar o dinheiro num envelope mesmo, vovó Manu tem vários e pode te emprestar um!

Então é isso, Papai Noel. Feliz Natal. Saudade.
Ah! Você tem whatsapp? Acho que vai ser mais fácil de falar se você tiver alguma dúvida. Me chama lá, vamos nos falar mais!

PS: calço 34 e meu tamanho é P. Tudo igual, desde a última carta que te escrevi (aqui entraria a carinha bolada com a boca torta do whatsapp)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Cozinha fail - morando sozinha

Nota inicial: esse pode ser um post non-sense, mas quem mora sozinho e sofre na cozinha vai se identificar.

Toda determinada e saudável, resolvi fazer meu primeiro bolo. Nunca fui prendada na cozinha ou gostei de cozinhar, mas morando sozinha resolvi tentar fazer algumas coisas. Peguei a receita no instagram de um bolo de cenoura fitness, super facil! So levava clara de ovo, cenoura, whey e umas coisinhas mais.

Comprei os ingredientes, e quando fui fazer lembrei que não tinha batedeira. Nada que o Google não resolva:
"como fazer clara em neve no liquidificador" - resposta: não funciona
"como fazer clara em neve no triturador" - resposta: zilhoes de sites para comprar triturador
"como fazer clara em neve na mão" - resposta: em um tigela funda, use 2 garfos e bata em movimentos circulares.

Ai você quebra os 8 ovos e vê que não tem tigela em casa, só prato raso. Comecei batendo numa vasilha de plastico, mas senti que não tava dando. Peguei o enfeite da mesa, que era tipo uma cumbuca de cristal, mas as claras não cabiam. A solução foi pegar uma bacia verde de plastico, daquelas de limpeza mesmo que quando a Bebê Laurinha (minha cachorra) tava aqui ela tomava água (mas eu lavei antes). Depois de uns 25 min com a mão dormente ligo pra minha mãe pra saber por que não estava funcionando, e ouço a seguinte resposta: "ih filha, se não virou agora não vira mais. passou do ponto". Tenho um ataque, choro dizendo que não vou jogar fora 8 claras de ovo, que não era possível, meu braço tava doendo, tinha ido comprar tudo pra fazer o maldito bolo, que não vai ter copa nem eleição, aí em meio aos lamentos eu lembro que estou falando com a minha mãe. 

Pronto. Começa o discurso: "filha, você não pode ser assim. É errando que se aprende, agora você aprendeu. Não faça disso um sofrimento, e sim um aprendizado. Assim é a vida, não é a primeira e nem a última vez que você vai errar. O mundo tem coisas muito serias pra você chorar por causa de um bolo que não deu certo..." e aquelas coisas que minha mãe gosta de dizer quando eu tenho um ataque por coisas que para ela são banais, tipo um bolo que não deu certo. (nota mental: lembrar de escrever um post sobre as oratórias da minha mãe sobre as minhas questões profundas como cabelo).

Revoltada em jogar fora 8 claras de ovo, peguei a bacia verde de plástico - que outrora eu fizera de fruteira (mas eu lavei antes) - e separei a espuma do ovo que ainda era água, e deduzi que devia ser umas quatro claras. Resolvi então continuar a receita cortando tudo pela metade. Na falta do Whey de baunilha, coloquei o de chocolate. O óleo de coco estava sólido, dai tive que ficar esquentando no fogão pra ele ficar liquido e eu colocar as duas colheres. Ai na receita falava: duas colheres do óleo, duas de adoçante e uma de fermento. Fui fazendo tudo com colher de sopa. Ai lembrei que quando era criança o fermento era sempre pouquinho. E lá vou eu tirando o fermento do meio dos outros ingredientes que eu já tava misturando na bacia verde de plástico que eu tinha vomitado semana passada quando passei mal (mas eu lavei antes).

Na falta da batedeira, segui o conselho da minha amiga Beta e fui bater na mão. Então era eu sentada vendo a novela batendo um monte de ingrediente na tal bacia verde de plastico que certa vez também já guardou os panos e material de limpeza da casa (mas eu lavei antes). Coloquei na única assadeira que eu tinha em casa, onde a massa do bolo era tao pouquinha que fez uma camada fininha de "bolo" que não dava nem 1 cm de altura. Mas como tinha fermento e ia crescer, fique feliz.

Resultado: bolo com 1,5 cm de altura bem doce de adoçante, com um pouco de gosto de fermento mas totalmente comestível + ombro e biceps direito maiores que o esquerdo + obrigação dos amigos do trabalho em comer meu primeiro bolo - alguns amigos no trabalho. Fim