quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Corpo perfeito, sem gentileza

Ontem quando eu li a matéria falando sobre o corpo da Fernanda Gentil na praia eu fiquei com muita raiva. Raiva mesmo. Primeiro porque eu adoro ela. Segundo porque a Fernanda não vive da bunda dela e sim da cabeça - nada contra quem vive do corpo, mas sou da teoria de que você só pode ser cobrado pelo que se propõe a fazer de melhor. Ou seja, se você é médico, tem que exercer a medicina direito, se é professor, tem que ensinar bem, se vive da sua bunda, nada mais que a sua obrigação é que ela seja perfeita. Terceiro porque ela, logo ela, que é uma das pessoas mais simpáticas e queridas da TV, ótima profissional e super discreta, tava lá de boas na praia e alguém se acha no direito não só de fotografá-la, mas de escrever uma matéria falando mal do "corpo não perfeito" (na visão de quem? ah tá). Aí me coloquei no lugar dela e fiquei pior ainda, porque por mais que eu possa dizer que tô cagando pra opinião dos outros, ser criticado incomoda sim.  Não importa por quem seja. E criticado e exposto a troco de nada, é revoltante.

Depois rolou desculpas, desculpas aceitas por ela (fofa, porque eu sou rancorosa e não desculpava não. Nota mental: preciso evoluir ainda), vários comentários, blogs e sites falando do assunto, e o mais interessante e que mais me marcou foi o texto de uma coleguinha (porque assim como a Fernanda e a pessoa que escreveu a maldita matéria, eu também sou jornalista, rá) em que ela encerrava falando "somos todas Gentil" (queria ter pensado nessa frase primeiro, link dela aqui). E somos mesmo. 

De todas as mulheres que eu conheço, e quando eu digo todas são todas mesmo, desde a mais bela (pelos olhos da nossa sociedade) até a menos bem afeiçoada (também pelos olhos dessa nossa sociedade do demo), nenhuma está satisfeita com sua aparência. Nenhuma mesmo. Cara, que coisa terrível. Como é que nós viramos isso? Por que fazemos isso conosco? E eu tô me incluindo bonito aqui nessa análise. Eu malho que nem uma condenada todos os dias, mesmo sem tempo pra dormir direito trabalhando que nem uma condenada. Faço dieta, gasto uma fortuna tentando melhorar esse meu cabelo ralo, eu gasto uma babada de creme pro olho, pra testa, pro corpo, até pra mão tem creme. Aí eu paro às vezes e penso "foda-se essa porra, não vou gastar mais, não sou perfeita, é isso aí. Goste quem gostar!". E no dia seguinte já to la no ebay encomendando colágeno. 

E o engraçado é que ninguém nunca cobrou que eu fosse assim ou assado. Só eu. Ninguém me falou que eu tinha que ser magra, sarada, ou sei lá o que. Só falam que eu tinha que ser mais alta (1,53m foi meio vacilo comigo, mas beleza). E olha que se tivesse como, com certeza eu já teria feito alguma coisa (obs: médicos, não inventem nenhum método porque não tenho mais dinheiro pra gastos com altura, ok? brigada de nada). 

E outra coisa, os homens também não ajudam muito, vai. Sim, nós fazemos tudo isso pra impressionar a eles também. Eles podem não nos cobrar diretamente. Mas ficam entre si falando dessa ou daquela, curtindo foto da gostosona que tirou foto seminua no espelho... Aí eles viram e falam "que isso, essa mulher é mó piranha", mas no fundo ficam lá babando. E não adianta falar que não. Aí a mulher normal que não tem a bunda na nuca fica frustrada em não se achar tão boa pro seu namorado/marido e começa nessa sangria doida da busca pela perfeição. E a auto estima lá no pé. Atenção, não tô culpando os homens por isso tudo. Tô culpando todo mundo, homem, mulher, indústria, mídia, geral. Apontei a bazuca giratória e vrá.

Acho que nós, mulheres, demos "sorte" por ter acontecido isso agora, e  por ter sido com a Fernanda Gentil. É óbvio que não era pra ter acontecido e que ela não merecia, mas justamente por ter sido com ela, uma mulher tão querida, pode ter sido o primeiro passo pra essa cultura obcecada pelo corpo perfeito começar a diminuir um pouco. Somos todas Gentil? Somos. Se bem que eu só queria um pouco da beleza dela, então sou mais ou menos Gentil. E um pouco do cabelo dela também, que eu acho lindo. Ok, sou só um pouco Gentil (pra descontrair porque esse texto tava muito serio).

E apesar de cada vez mais a gente tentar se padronizar fisicamente, Deus fez cada um de um jeitinho, né? E não foi à toa. 

PS: enquanto eu escrevia esse texto tava tomando meu shake. (aqui entra aquela carinha bolada do whatsapp)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Por um 2015 com menos Selfie

A vida inteira quando eu ia tirar uma autofoto não era legal. Daí foi só mudar o nome pra 'selfie' que virou muito incrível. 

Eu não vou ser hipócrita e dizer que eu nunca tirei uma. Já tentei, mas as minhas ficam sempre terríveis. Talvez se eu ficasse gata eu nem estaria aqui escrevendo isso, mas de fato eu não fico bem. Meu braço é curto, se tá de cima minha cara fica fina, se for de baixo ela fica lua cheia, e eu sempre achei minha cara normal até inventarem esse demônio de selfie eu ser obrigada a tirar. Obrigada mesmo. Porque a pessoa vira e fala: vamos tirar um selfie? Aí você responde, "pede pra alguém bater"... "NÃO! QUERO SELFIE!".

Mas talvez seja certo que eu não saia bem porque na maioria das vezes você está sozinho. E qual a graça de ficar saindo em foto sozinho? Sua cara lá, pá. Toda hora. Sua cara. A mesma, tá ela lá. Como se ela mudasse muito. Às vezes você entra no instagram da pessoa e TODAS as fotos são a caroça dela. Gente, qual a necessidade disso? A sua cara não muda, pra que postar foto dela todo dia? A gente já sabe como você é, juro. Além disso, nada me tira da cabeça que isso é carência da braba e na verdade a pessoa quer mesmo é só ganhar elogio dos amigos. Também não vou ser hipócrita e falar que eu nunca postei uma foto só minha pra ganhar elogio. Ja fiz isso sim, quando eu tava precisando dar uma inflada no ego, tava bolada, de tpm, sou mulher, óbvio que já usei essa artimanha do demo. E aí eu escolho uma foto que eu esteja bonitinha pras minhas amigas e família me elogiarem e eu ficar feliz por dois minutos (brigada migas, toco likes sdv curto a última). Mas todo dia, ou dia sim dia não, não dá.

Não posso deixar de falar também de outra coisa que eu acho muito maravilhosa que são as selfies fake. Aquela que você  finge que alguém bateu a foto mas todo mundo sabe que foi você mesmo. Dá a sua melhor gargalhada, olha pro lado e tira sua própria foto fingindo que alguém tirou pra você. Tipo, tô aqui de boas contemplando o horizonte nessa praia e alguém bateu essa foto com um pedaço do meu braço que precisará ser cortado depois pra dar veracidade. Eu fico pensando o quão constrangedor é se você tá fazendo isso, e na hora passa alguém e te vê. Na verdade uma vez eu quis tentar fazer isso pra ver se eu saía bem (eu sou humana, não to falando que nunca fiz nada disso), e eu fiquei me sentindo tão retardada mental rindo pro além que eu saí com a mesma cara de retardada que eu estava me sentindo. 

Ah, agora tem o tão amado e odiado pau de selfie. Eu tenho um pau de selfie e ele me ajuda muito, porque meu braço é curto e você não precisa mais que alguém sempre fique fora da foto pra bater e depois dar aquela revezada. Antes você ficava com duas fotos iguais que só mudam uma pessoa, e uma sempre é excluída, o que gera inúmeros conflitos em grupos de amigos tipo os meus, que nem rola ciúme. 

No final das contas, o que tem graça mesmo é sair com os amigos, família, namorar, viajar, vida de verdade, saca? E quando você tem uma vida de verdade, é isso que vale a pena a gente curtir. Ou se você se arruma toda linda pro aniversario de alguém, uma ocasião legal, acho super válido. Mas chega de foto sozinha, da sua cara nos mesmos três ângulos todo dia.  A vida é muito mais interessante que isso.

Tudo bem que dos meus 6 leitores metade não tá nem aí pro que eu acho legal ou não, mas o blog é meu e essa é a minha mensagem pra 2015.

Então pra resumir e como eu adoro criar listinha do que pode e não pode no meu ponto de vista (e que você provavelmente vai ignorar, vide post sobre moda em academias nesse link), segue: 

1- foto da sua cara só se você estiver mega linda pra um aniversário, casamento, ou algo diferente. Algo com contexto, um bom motivo
2 - carinha de soninho acordando, não
3 - Cara de bolado de fome, insonia, não
4 - Selfie com a boca semiaberta sexy, tipo na linha tênue entre cara de modelo e cara de babaca, não. Se for modelo, sim
5 - foto seminua (ou seminu) com frases filosóficas e sobre a vida também não.
6 - se for da sua bunda com a legenda "malhei benzao ganhei 6cm de gluteo e pá" é pelo menos honesto. Sabemos o que você quer mesmo (mas lembre-se que estaremos todos no fundo dando print, mandando nos grupos e te julgando. Cuidado)
7 - Foto no mesmo espelho da academia todo dia também não. Chega, cansou, muito 2014.
8 - Foto de regata de mamilo, nunca
9 - Na verdade regata de mamilo, nunca
10 - Foto olhando pro horizonte com seu braço demonstrando que você tirou, não
11 - amiguinho que tira sua foto num lugar lindo, sim
12 - pau de selfie pra caber geral na foto, sim
13 - pau de selfie só por ser pau de selfie, não
14 - fotos com cachorro tem carta branca para tudo
15 - não tem o que postar, posta frase, mato, comida, chapolin sincero e Clarice Lispector. Agrega mais (PS: só se certifique que foi a Clarice mesmo que escreveu, porque ela deve dar umas reviradas na cova brabas).

Vamos estimular as relações interpessoais, migos? O "bate uma foto pámien, por favor?" não vai sair de moda.

Então é isso, por um 2015 com menos selfies e mais fotos com gente! 

Não me odeiem. Me sigam (@lenapelosi).

PS: Troco likes

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Carta aberta ao Papai Noel

Querido papai Noel,

Meu nome é Lena, e apesar de eu não te escrever há uns 20 anos, acho que vai se lembrar de mim, já que você não esquece de ninguém.
Resolvi escrever essa carta porque cheguei a algumas conclusões. Quando eu era criança, eu fazia besteira, coisa errada, batia na Laura, mentia pros meus pais e na escola. Escrevia cartinha pra você, e ganhava presente (o que considero bem fofo, por sinal). Aí o tempo foi passando, e eu fui crescendo e fazendo menos coisa errada. Em compensação, fui ganhando menos presente.

Ou seja, quanto mais o tempo passa, mais eu me torno uma pessoa melhor, e menos presente eu ganho. Meio injusto, não acha?

Esse ano eu trabalhei muito. Cada ano que passa eu trabalho mais. Também não briguei mais com a minha irmã (tudo bem que ela foi morar longe). Também não desobedeci meus pais (tudo bem que eu saí de casa, mas vale).Não fiz mal a ninguém, apesar de ter tomado boas rasteiras pelo caminho. Nunca fui de revidar, e olha que muita gente mereceu.
Se fiz alguém sofrer, não foi de propósito. E você não imagina como me faz mal pensar que posso ter magoado alguém. Mas eu me magoei também. E chorei um pouco. Na verdade eu sempre fui meio chorona. Algumas vezes por motivos sérios, outras por motivos banais. Chorei engarrafada, chorei de raiva, chorei vendo filme e até comercial. Chorei de frustração, chorei de saudade de quem já foi, chorei de alegria. Acho que eu merecia um presente só pelo quanto que eu chorei, independente se eu tinha razão ou não.

Mas também, eu ri muito. Ri de mim, ri dos outros, ri das mesmas piadas eternas dos meus amigos, ri de ficar sem ar e me debater na mesa do trabalho. Também fingi muitas vezes que tava rindo só pra não deixar o outro sem graça (sou legal, vai). Outra coisa que eu fiz também foi tentar fazer os outros rirem. Eu sei que sou meio metida a engraçada, mas acho que só de fazer alguém rir eu merecia um presentinho, vai?

Eu tentei cuidar mais de mim, até morena fiquei, te juro que tô tentando fazer tudo certo. Tô tentando ajudar quem eu posso também, pode perguntar pra Deus que ele vai te falar que
eu fui uma boa pessoa esse ano. Não só esse ano, eu sempre fui. Mas de verdade, acho que estou melhorando.

Tudo bem que estou bem menos paciente, mas isso não é motivo pra eu ficar sem presente, concorda? Inclusive, posso te mandar uma lista de quem você não pode dar presente, porque sei que vai ter gente te escrevendo se fazendo de bonzinho, mas fica ligado que é kao.
Papai Noel, quase esqueci! Eu adotei um cachorro! Agora sou mãe de uma vira-lata, e acho que nós duas merecemos um presente. Se tiver difícil, pode ser só o dela, já que agora tenho espírito maternal aflorado.

E como já tem 20 anos que eu não te escrevo, acho que não custa você me dar um presente esse ano... Eu preciso de tanta coisa, que a lista vai em anexo. Se bem que acho mais fácil me dar em dinheiro que eu escolho, pode ser? Pode colocar o dinheiro num envelope mesmo, vovó Manu tem vários e pode te emprestar um!

Então é isso, Papai Noel. Feliz Natal. Saudade.
Ah! Você tem whatsapp? Acho que vai ser mais fácil de falar se você tiver alguma dúvida. Me chama lá, vamos nos falar mais!

PS: calço 34 e meu tamanho é P. Tudo igual, desde a última carta que te escrevi (aqui entraria a carinha bolada com a boca torta do whatsapp)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Cozinha fail - morando sozinha

Nota inicial: esse pode ser um post non-sense, mas quem mora sozinho e sofre na cozinha vai se identificar.

Toda determinada e saudável, resolvi fazer meu primeiro bolo. Nunca fui prendada na cozinha ou gostei de cozinhar, mas morando sozinha resolvi tentar fazer algumas coisas. Peguei a receita no instagram de um bolo de cenoura fitness, super facil! So levava clara de ovo, cenoura, whey e umas coisinhas mais.

Comprei os ingredientes, e quando fui fazer lembrei que não tinha batedeira. Nada que o Google não resolva:
"como fazer clara em neve no liquidificador" - resposta: não funciona
"como fazer clara em neve no triturador" - resposta: zilhoes de sites para comprar triturador
"como fazer clara em neve na mão" - resposta: em um tigela funda, use 2 garfos e bata em movimentos circulares.

Ai você quebra os 8 ovos e vê que não tem tigela em casa, só prato raso. Comecei batendo numa vasilha de plastico, mas senti que não tava dando. Peguei o enfeite da mesa, que era tipo uma cumbuca de cristal, mas as claras não cabiam. A solução foi pegar uma bacia verde de plastico, daquelas de limpeza mesmo que quando a Bebê Laurinha (minha cachorra) tava aqui ela tomava água (mas eu lavei antes). Depois de uns 25 min com a mão dormente ligo pra minha mãe pra saber por que não estava funcionando, e ouço a seguinte resposta: "ih filha, se não virou agora não vira mais. passou do ponto". Tenho um ataque, choro dizendo que não vou jogar fora 8 claras de ovo, que não era possível, meu braço tava doendo, tinha ido comprar tudo pra fazer o maldito bolo, que não vai ter copa nem eleição, aí em meio aos lamentos eu lembro que estou falando com a minha mãe. 

Pronto. Começa o discurso: "filha, você não pode ser assim. É errando que se aprende, agora você aprendeu. Não faça disso um sofrimento, e sim um aprendizado. Assim é a vida, não é a primeira e nem a última vez que você vai errar. O mundo tem coisas muito serias pra você chorar por causa de um bolo que não deu certo..." e aquelas coisas que minha mãe gosta de dizer quando eu tenho um ataque por coisas que para ela são banais, tipo um bolo que não deu certo. (nota mental: lembrar de escrever um post sobre as oratórias da minha mãe sobre as minhas questões profundas como cabelo).

Revoltada em jogar fora 8 claras de ovo, peguei a bacia verde de plástico - que outrora eu fizera de fruteira (mas eu lavei antes) - e separei a espuma do ovo que ainda era água, e deduzi que devia ser umas quatro claras. Resolvi então continuar a receita cortando tudo pela metade. Na falta do Whey de baunilha, coloquei o de chocolate. O óleo de coco estava sólido, dai tive que ficar esquentando no fogão pra ele ficar liquido e eu colocar as duas colheres. Ai na receita falava: duas colheres do óleo, duas de adoçante e uma de fermento. Fui fazendo tudo com colher de sopa. Ai lembrei que quando era criança o fermento era sempre pouquinho. E lá vou eu tirando o fermento do meio dos outros ingredientes que eu já tava misturando na bacia verde de plástico que eu tinha vomitado semana passada quando passei mal (mas eu lavei antes).

Na falta da batedeira, segui o conselho da minha amiga Beta e fui bater na mão. Então era eu sentada vendo a novela batendo um monte de ingrediente na tal bacia verde de plastico que certa vez também já guardou os panos e material de limpeza da casa (mas eu lavei antes). Coloquei na única assadeira que eu tinha em casa, onde a massa do bolo era tao pouquinha que fez uma camada fininha de "bolo" que não dava nem 1 cm de altura. Mas como tinha fermento e ia crescer, fique feliz.

Resultado: bolo com 1,5 cm de altura bem doce de adoçante, com um pouco de gosto de fermento mas totalmente comestível + ombro e biceps direito maiores que o esquerdo + obrigação dos amigos do trabalho em comer meu primeiro bolo - alguns amigos no trabalho. Fim

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Subindo com estranhos no elevador - a missão

Meus pais sempre me ensinaram: "quando for subir no elevador e tiver alguém vindo, espera a pessoa. Seja educada". Ok, sou obediente. Mas eles nunca me ensinaram o quão constrangedor é subir no elevador com um estranho.

Hoje estava chegando em casa e entrou um cara logo depois de mim. "Boa noite" um, "boa noite" o outro. Silêncio. 

Aí comecei a pensar sobre isso, porque eu estava fissurada e fixada olhando para o branco do chão, e ele idem olhando pro próprio pé.  Já é uma situação chata porque uma coisa que era pra levar uns 15 segundos acaba levando três minutos, porque o tempo não passa quando se está no elevador com um estranho. Quando eu era criança e adolescente, esse era o momento da crise de riso. Às vezes ainda dá, dependendo do amigo que está comigo no elevador, mas agora sou muito madura e já sei que nessa hora você finge que lembrou de uma historia hilária e se dá ao direito de rir, afinal, tem um bom motivo.

Você fica olhando fixo pro chão. Mas como já está no elevador esperando chegar no 11o andar há uns quatro minutos, começa a dar cãibra no pescoço, e você vai olhando em volta com muito cuidado pro estranho não achar que você tá olhando pra ele. Aí você começa a suar porque sabe que não pode olhar pro estranho de jeito nenhum e isso dá um pânico. Aí quando menos espera o seu globo ocular vai automaticamente direto pro olho do estranho. Se ele não tá te olhando, ufa. Você volta pro chão e segue vivendo, respirando e tal. Mas se ele estiver te olhando, mermão fudeu. Já acha logo que ele é maluco e vai te matar e jogar seu corpo no poço. Afinal, véi, por que esse estranho tá me olhando??? Ele não sabe as regras do elevador? Não se olha pro estranho!

Aí vê que ele ficou sem graça e você fica mais ainda porque olhou e constrangeu o estranho. E pior que nem era um flerte, porque isso é com todas as idades e sexos. Na verdade se for um velhinho fofo é só dar um sorriso e ficar em paz, mas na maioria das vezes é uma das situações mais constrangedoras da vida, e o elevador só de sacanagem demora mais uns oito minutos pra chegar no 11o andar. Se for adolescente, já fica pensando "saporra desse lek vai me zoar".

De vez em quando, nessa situação, eu dou um suspiro profundo do tipo "caramba, to muito cansada depois de um dia de trabalho e tenho que fazer um monte de coisas minha vida é muito dura amanhã acordo cedo cê vai votar em quem e talz", que no fundo eu não sei porque eu dou esse suspiro, já que eu não vou falar nada e nem a outra pessoa vai me perguntar. E se perguntasse na vida real, eu provavelmente só responderia "aham".

Aí você chega no andar, dá boa noite de novo, sai calma e discretamente tipo 'corra como nunca, salvem suas vidas', dá aquela caída básica do saltinho assim que a porta abre, cheia de bolsa, mochila e sacola do mundial. 

Sinceramente, a vida é muito difícil.

domingo, 27 de abril de 2014

O dia que virei morena

Já faz uns 20 dias que fiquei morena. Não, eu não me acostumei. Cada vez que acordo de manhã e me olho no espelho tomo um susto. Não, eu não estou me achando bonita. Eu sempre fui "a Lena, aquela loirinha", e agora eu sou só "aquela baixinha". Quando você muda o visual e fica bem, quem te ve fala: caracaaaaaa!! Mudou o cabeloooo!arrasou!!!". No meu caso, o que ouvi foi: "caramba, ta diferente, escureceu, ne?". É.

Só para contextualizar, sempre fui loira e feliz. Loirinha criança, depois saí tacando de tudo no cabelo pra clarear mais. Minha família sempre fez campanha contra. Só Deus sabe como eu odiava quando minha mãe vinha falando: "minha filha, você está destruindo seu cabelo, para com isso". Maldita boca de mãe que invoca os poderes do universo. Obvio, mãe falou, batata. Acabei com meu cabelo. 

Até que um dia a maturidade chegou, e eu pensei que era melhor ter o cabelo escuro e cheio do que ser uma loira de cabelo ralo. Aí num dia fatídico, tomei coragem, fiquei 3h no salão, e escureci (uma lágrima escorre no canto do olho nesse momento. Mentira, chorei muito). Lá se foi um legado. Uma história. Uma mulher iluminada, e agora ficou a branquela baixinha de cabelo ralo e escuro.

Não estou escrevendo esse post pras minhas amigas falarem "amiga, você fica linda de qualquer jeito". Estou escrevendo porque eu estou sofrendo e queria compartilhar a minha dor, esse sofrimento que me fere. E como eu gosto de rir da minha desgraça, escrevo pra compartilhar os comentários diversos que ouvi de amigos, conhecidos, pouco conhecidos, galera do trabalho e afins. Porque pior que você mudar o visual e chegar no lugar sabendo que todo mundo vai te perguntar, é você estar odiando, e ser obrigada a passar por isso.

Então vamos lá, a pessoa está andando e de repete PÁ, Lena morena:
- que isso?? tá revoltada com a vida?
- por que você fez isso? Errou a cor da tinta?
- não fica assim, a gente te ama mesmo assim
- não sei se prefiro assim ou antes 
- você está mais jovem
- você está mais velha
- você está mais séria
- você ficou mais forte
- você é muito branca, precisa ser loira
- pinta de loiro de volta, uai
- a Lena perdeu a essência
- você perdeu o humor
- seu cabelo ficou minguado
- não tá feio, só preciso me acostumar

Então é isso. O que importa é ter saúde.
Obrigada, amigos.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Coisas que você aprende ao morar sozinha

Passado quase um mês que comecei a morar sozinha, resolvi dar umas dicas de extrema importância para quem está pensando em fazer o mesmo. Todo mundo sabe que louça não lava sozinha, etc., então vou falar de coisas que você realmente precisa saber:

- Sempre deixe uma fresta de janela aberta. Não por medo de vazamento de gás, mas sim para ter uma boa desculpa quando você ouve aquele barulho na sala vazia durante a noite. Aí é só pensar: ah, sim, não é um espírito, é o vento entrando pela fresta da janela. 
Mas atenção: o tamanho da fresta precisa ser menor que o de uma barata, para evitar a aparição da mesma.

- Dormir sozinha é que nem andar de bicicleta. No primeiro dia você dorme com a luz da sala acesa e a TV ligada. No segundo dia dorme só com a TV, até o dia em que você conseguir ficar no breu e silêncio total, sem lembrar do Exorcismo de Emily Rose.

- Sempre durma de edredom e nunca coloque o pé pra fora da cama, por motivos óbvios. O edredom é sua fortaleza. Lençol não protege dos seres noturnos!



- Tenha sempre o controle remoto, celular e ventilador por perto. Deu medo no meio da noite? Acende tudo! O ventilador é pra ajudar na suadeira, misto do medo e do calor, já que você não vai ser maluca de se descobrir do edredom nem no verão.

- Tenha um Raid em casa cômodo da casa. Assim, se uma barata aparecer, você não corre o risco de voar pra pegar o inseticida e ela ter sumido quando você voltar, fato que te obrigaria a sair de casa por tempo indeterminado.

- Alguns potes, como os de palmito, não foram feitos para serem abertos. Não adianta esquentar, dar porradinha na tampa, tentar fazer entrar ar com a ponta da faca. Se Deus não quis que eles abrissem, quem somos nós para tentar modificar?

- Sempre leia o manual de instruções de tudo que você tiver. Sempre. De tudo. Google também ajuda. Só assim é possível fazer o teflon da frigideira realmente funcionar. E não é óbvio como parece.

- Em 99% das vezes a casca do ovo vai rasgar o saco de lixo e vai sujar toda sua lixeira por dentro. Não adianta tentar mudar isso. E você não vai deixar de comprar no Mundial só pra melhorar a qualidade da sacola, né? #lidecomisso

- Paredes são duras e frágeis ao mesmo tempo. Você tenta pregar um quadro, e entorta 5 pregos. Aí tenta de novo e faz um rombo gigante na parede. Funciona lá pela 8ª tentativa. Dica: comece sempre tentando pregar o quadro um pouco mais baixo do que você gostaria, porque depois vai ter que colocá-lo em cima dos rombos que fez anteriormente.


Fora isso, você tira tudo de letra!