domingo, 27 de abril de 2014

O dia que virei morena

Já faz uns 20 dias que fiquei morena. Não, eu não me acostumei. Cada vez que acordo de manhã e me olho no espelho tomo um susto. Não, eu não estou me achando bonita. Eu sempre fui "a Lena, aquela loirinha", e agora eu sou só "aquela baixinha". Quando você muda o visual e fica bem, quem te ve fala: caracaaaaaa!! Mudou o cabeloooo!arrasou!!!". No meu caso, o que ouvi foi: "caramba, ta diferente, escureceu, ne?". É.

Só para contextualizar, sempre fui loira e feliz. Loirinha criança, depois saí tacando de tudo no cabelo pra clarear mais. Minha família sempre fez campanha contra. Só Deus sabe como eu odiava quando minha mãe vinha falando: "minha filha, você está destruindo seu cabelo, para com isso". Maldita boca de mãe que invoca os poderes do universo. Obvio, mãe falou, batata. Acabei com meu cabelo. 

Até que um dia a maturidade chegou, e eu pensei que era melhor ter o cabelo escuro e cheio do que ser uma loira de cabelo ralo. Aí num dia fatídico, tomei coragem, fiquei 3h no salão, e escureci (uma lágrima escorre no canto do olho nesse momento. Mentira, chorei muito). Lá se foi um legado. Uma história. Uma mulher iluminada, e agora ficou a branquela baixinha de cabelo ralo e escuro.

Não estou escrevendo esse post pras minhas amigas falarem "amiga, você fica linda de qualquer jeito". Estou escrevendo porque eu estou sofrendo e queria compartilhar a minha dor, esse sofrimento que me fere. E como eu gosto de rir da minha desgraça, escrevo pra compartilhar os comentários diversos que ouvi de amigos, conhecidos, pouco conhecidos, galera do trabalho e afins. Porque pior que você mudar o visual e chegar no lugar sabendo que todo mundo vai te perguntar, é você estar odiando, e ser obrigada a passar por isso.

Então vamos lá, a pessoa está andando e de repete PÁ, Lena morena:
- que isso?? tá revoltada com a vida?
- por que você fez isso? Errou a cor da tinta?
- não fica assim, a gente te ama mesmo assim
- não sei se prefiro assim ou antes 
- você está mais jovem
- você está mais velha
- você está mais séria
- você ficou mais forte
- você é muito branca, precisa ser loira
- pinta de loiro de volta, uai
- a Lena perdeu a essência
- você perdeu o humor
- seu cabelo ficou minguado
- não tá feio, só preciso me acostumar

Então é isso. O que importa é ter saúde.
Obrigada, amigos.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Coisas que você aprende ao morar sozinha

Passado quase um mês que comecei a morar sozinha, resolvi dar umas dicas de extrema importância para quem está pensando em fazer o mesmo. Todo mundo sabe que louça não lava sozinha, etc., então vou falar de coisas que você realmente precisa saber:

- Sempre deixe uma fresta de janela aberta. Não por medo de vazamento de gás, mas sim para ter uma boa desculpa quando você ouve aquele barulho na sala vazia durante a noite. Aí é só pensar: ah, sim, não é um espírito, é o vento entrando pela fresta da janela. 
Mas atenção: o tamanho da fresta precisa ser menor que o de uma barata, para evitar a aparição da mesma.

- Dormir sozinha é que nem andar de bicicleta. No primeiro dia você dorme com a luz da sala acesa e a TV ligada. No segundo dia dorme só com a TV, até o dia em que você conseguir ficar no breu e silêncio total, sem lembrar do Exorcismo de Emily Rose.

- Sempre durma de edredom e nunca coloque o pé pra fora da cama, por motivos óbvios. O edredom é sua fortaleza. Lençol não protege dos seres noturnos!



- Tenha sempre o controle remoto, celular e ventilador por perto. Deu medo no meio da noite? Acende tudo! O ventilador é pra ajudar na suadeira, misto do medo e do calor, já que você não vai ser maluca de se descobrir do edredom nem no verão.

- Tenha um Raid em casa cômodo da casa. Assim, se uma barata aparecer, você não corre o risco de voar pra pegar o inseticida e ela ter sumido quando você voltar, fato que te obrigaria a sair de casa por tempo indeterminado.

- Alguns potes, como os de palmito, não foram feitos para serem abertos. Não adianta esquentar, dar porradinha na tampa, tentar fazer entrar ar com a ponta da faca. Se Deus não quis que eles abrissem, quem somos nós para tentar modificar?

- Sempre leia o manual de instruções de tudo que você tiver. Sempre. De tudo. Google também ajuda. Só assim é possível fazer o teflon da frigideira realmente funcionar. E não é óbvio como parece.

- Em 99% das vezes a casca do ovo vai rasgar o saco de lixo e vai sujar toda sua lixeira por dentro. Não adianta tentar mudar isso. E você não vai deixar de comprar no Mundial só pra melhorar a qualidade da sacola, né? #lidecomisso

- Paredes são duras e frágeis ao mesmo tempo. Você tenta pregar um quadro, e entorta 5 pregos. Aí tenta de novo e faz um rombo gigante na parede. Funciona lá pela 8ª tentativa. Dica: comece sempre tentando pregar o quadro um pouco mais baixo do que você gostaria, porque depois vai ter que colocá-lo em cima dos rombos que fez anteriormente.


Fora isso, você tira tudo de letra!



terça-feira, 9 de julho de 2013

Fashion Fitness

Atendendo a pedidos (uns 3), vou TENTAR voltar a escrever aqui no blog. Hoje estava na academia e fiquei pensando sobre a nova moda fitness. Tudo isso começou porque eu estava falando que não tenho estilo suficiente pra malhar em alguns lugares. Se você é professora, tem blog ou perfil que incentive a vida saudável, te sigo com amor e sempre curto suas fotos. O Instagram tem incentivado muitas pessoas a melhorarem seu estilo de vida, e serve mesmo de inspiração para muita gente (inclusive pra mim!). Esse texto não é pra você. Mas se você posta foto diária no espelho do elevador só pra receber curtida, aí, pois é, sei lá. 

Antes de tudo, quero deixar claro que não é pra ir mulambenta pra academia. Eu acho sim que as pessoas devem pensar na roupa, ir bonitinhas, mas pelamordedeus, tem limite! A nova moda agora são roupas laminadas. Não sei se é esse o nome, mas eu nomeei assim. As calças são tão brilhantes, mas tão brilhantes, que se bobear a professora vai brigar com a aluna na hora do alongamento com a luz apagada por estragar o clima relaxante. Confesso que até achei umas bonitas, mas óbvio que preto e azul não é suficiente. Tem que meter logo o dourado, prata-crepúsculo... E aí vem o macacão laminado. Então vamos ao macacão.

Amiga, leitora querida, minha flor. Tudo bem que seu corpo pode ter sido esculpido por agachamento feat. whey protein, mas vamos com calma nos macacões. Mamãe me ensinou ainda adolescente: se vai ousar no decote, nada de roupa curta. Se vai usar roupa curta, não usa decote. Se vai colocar as costas de fora, não põe decote. Aí você chega e põe um macacão todo colado, cavado, branco, com decote, transparência. Se a intenção é atrair todos os olhares da musculação, você vai conseguir. Mas se a intenção é... é... Bom. Acho que não tem outra intenção então você tá no caminho certo, segue com seu macacão. #foconoobjetivo



As mulheres precisam se lembrar que quando elas vão treinar, ficam em posições que já não são muito agradáveis de fazer. E que homem já tem a mente poluída. Aí você vai toda trabalhada na sensualidade extrema fazer quatro apoios, e não quer ouvir fuleragem masculina? Gata, se você já tem um corpão, as pessoas vão te olhar mesmo de legging preta e blusa larguinha. Pode ter certeza.

Se não bastasse o meião (minha irmã me socando em 3,2,1...), agora quem voltou com tudo é a polaina. Sim, polaina. Se você nasceu nos anos 90, dá um google e olha que lindo #soquenao. #achovintage #soquenaodenovo 
Nota mental: lembrar desse post caso eu comece a usar polaina daqui há um tempo. Há uns anos eu jurava que nunca iria de short pra noite, e hoje...

Pra não falar que tô recalcada falando mal de gostosa, tenho um comentário sobre a moda fitness masculina. 

Amigo, querido, acho lindo regata. Mas eu JURO que não quero ver seu mamilo enquanto você malha. É uma regata, não suspensório. Então a dica: vamos ousar menos no cavado? Só quem pode usar é Latrell Spencer, em "My wife and kids".



Então pra fechar, vamos à cartilha do comportamento na academia. Feito por mim mesma. Então não tem muita credibilidade, mas vamos lá:
1 - demore mais tempo treinando do que se olhando no espelho;
2 - você está com aquele fone gigante, mas só quem está ouvindo a música é você. Então controle-se nas reboladas;
3 - ficar muito tempo procurando o melhor ângulo pra auto-foto do instagram no meio da sala de musculação não é maneiro. Peça ajuda a um professor;
4 - Sempre verifique o grau de transparência da sua calça ao agachar. Tecido estica e causa surpresas;
5 - malhar com a amiga é legal. Ficar 10 horas de papo com a amiga travando o aparelho não é legal;
6 - pegar halter enorme e fazer movimento ridículo não impressiona, vira piada interna;
6 - suou o aparelho? Passa o álcool com perfex! Sempre tem!

Conclusão: Se as mulheres malhassem com o mesmo afinco que elas escolhem a roupa da academia, só ia ter diva! 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Pra todas as muié

Depois de quase um ano de muitos pedidos (uns quatro), resolvi escrever um texto aqui pro blog. 
Por que hoje? Dia internacional da mulher. Eu nunca gostei muito do dia internacional da mulher. Fica aquela divisão entre as pessoas que fazem discursos sobre igualdade, os que fazem piadinhas sacaneando as mulheres, e as milhares de homenagens e flores recebidas na saída dos restaurantes. 

Ao mesmo tempo que eu não faço questão de receber parabéns, sempre achei as mulheres uma coisa assim de Deus, sem explicação. Ser mulher é maravilhoso, mas numa boa, é muito difícil.
Ter TPM, ficar menstruada, fazer depilação, ter ciúme, chorar à toa, tendo que trabalhar que nem uma corna e se manter bonita, em forma, se alimentando bem pra não ficar gorda e com celulite, cuidar do cabelo, fazer a unha... Aí tem sempre um espírito de porco pra falar "aahh, coisa de mulherzinha, cuidar do cabelo e da unha". Aham, fica sem fazer essas coisas básicas pra ver se essa mesma pessoa não vai falar "fulana não se cuida, por isso que tá sozinha...". 

E tudo isso, lidando com a própria alma feminina e ajudando 'asamiga'. Um dia porque tá gorda demais, outro porque tá magra demais, com o cabelo ruim demais, com problemas demais no trabalho, brigas demais em casa, dinheiro de menos - e tudo isso sem descer do salto e sem deixar os outros perceberem, claro. A gente é mulher mas não pode se mostrar frágil jamais. 
É mulher, não é nem um pouco fácil se aturar a vida inteira!

Então, resolvi deixar registrado os meus parabéns para as mulheres não por hoje, mas por todos os dias da nossa existência em que temos que suportar os estresses, angústias, problemas no trabalho e em casa, sapatos apertados, cólicas, raízes crescendo, sempre lindas e belas! Mulheres, sejam felizes!

PS: Deus, nosso trato de que na próxima encarnação eu e minha melhor amiga viremos homem ainda está de pé, ok?

sábado, 14 de maio de 2011

"Tudo não pode nada"


Pode não fazer muito sentido, mas quanto mais se ampliam os direitos das pessoas, menos limites elas têm. Explico: hoje as crianças são, sim, muito mais mal educadas e desobedientes do que antigamente. Por quê? Porque ninguém pode colocar limites. Colocaram as crianças numa “cápsula” onde todas viraram intocáveis. Os pais não podem colocar de castigo, a escola não pode repreender, tudo fere os direitos, traumatiza, e ficou mais fácil deixar passar do que tentar consertar.

Eu estudei no CAp/UFRJ, uma escola pública (que eu amo mais que tudo, por sinal), pequena, e que justamente por isso todo mundo se conhecia por nome. Lembro de algumas situações que se ocorressem hoje, seriam caso de tema debatido no Fantástico. Uma vez, eu e meus amigos levamos confete para a aula, pra jogar pra cima quando tocasse o último sinal (excelente idéia, diga-se de passagem). Quando deu 12h40 e o sinal tocou, foi aquela festa! Confete na sala inteira! Que durou cinco minutos. A professora avisou na portaria, e em um minuto a coordenadora chegou na porta e falou: “vai ficar todo mundo limpando a sala depois da aula”. Ok. Fomos até a despensa, pegamos as vassouras, varremos tudo, depois guardamos o material e fomos pra casa. Agora me diz, imagina se isso fosse hoje? Era motivo para matéria no jornal relatando o abuso da escola, demissões, discussões sobre o trabalho infantil...

Outra vez três meninos da minha sala, todos com uns onze, doze anos, picharam o banheiro da escola. A coordenação descobriu, avisou aos pais, comprou tinta e eles ficaram de tarde pintando o banheiro. Um deles, inclusive, subiu no vaso sanitário para alcançar no teto, caiu e quebrou o vaso. Machucou um pouco, mas acharam mais graça que dor. Se fosse hoje, o CAp estaria fechado, com certeza.

Eu aprendi o que era vandalismo quando quebrei a maquete de uma menina com dois amigos na terceira série. Achamos que não teria problema, e quebramos o isopor todinho. No dia seguinte, entra a moça do SOE na sala perguntando quem tinha feito aquilo. Levantamos a mão, levamos bronca (aí entendemos que tínhamos feito algo errado), chamaram nossos pais, e tivemos que chegar no colégio mais cedo pra encontrar a menina e pedir desculpas pessoalmente. No CAp, não tinha nem espaço para aquele tipo de pai que passa a mão na cabeça do filho, que vive da frase “meu bebê não fez isso” e culpa a escola pelos erros naturais que toda criança comete.

Por essas e outras que eu acho que o mundo está cada vez pior, pelo simples motivo de não poder haver repreensão – no sentido de educar. Minha irmã volta e meia escrevia na parede e no sofá. Quando eu olhava, estava lá a Laura, pequenininha, com aqueles cachinhos, chorando, esfregando a parede com sabão (no início eu ficava com pena, depois achava graça, como boa irmã mais velha). Se sujou, limpa. Pronto, não vai fazer de novo. Também não vai traumatizar a criança. Acho que falta aos pequenos aprender a ouvir "não". Foi de tanto ouvir não (provavelmente devido a quantidade de besteira que fazia), que a Laura aos quatro anos soltou a pérola que intitula esse texto.

Quando as crianças perceberam que podem fazer o que quiserem, que o máximo que vai acontecer vai ser ouvir um sermão de três minutos, elas realmente perderam o limite. Não sou a dona da verdade, mas desde que resolveram ensinar os pais a cuidar dos filhos, eles têm crescido cada vez piores.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Eu sofro bullying, tu sofres bullying, ele sofre...


Eu sempre fui pequena. Bem pequena. Com sete anos, meus dentes da frente eram tão pra fora que eu não conseguia fechar a boca. De quebra, o brinquedo (mais conhecido como ‘filho’) que me acompanhou (e acompanha) a vida toda era um coelho. Não preciso nem dizer que no colégio, por muito tempo meu apelido foi Mônica. Eu só não era gorducha. Agora que deram um nome, posso dizer que sofri bullying. Eu e todos os meus amigos do colégio. Eu e todas as crianças do mundo, na verdade. A frase mais correta que ouvi é a que quem sobrevive à escola, sobrevive a qualquer coisa. Criança é malvada por natureza e fala as verdades na cara, muitas vezes sem saber que está magoando. Adora dar apelido, zombar dos amigos, e isso não é característico dos grandões não, é de todos.

Não estou aqui pra falar que o bullying deve ser aceito (pelo amor de Deus!), nem vou falar de casos extremos que todos sabemos que existem e são tristes e horríveis demais. Quero falar dessa maldição que agora ganhou um nome, se popularizou e se tornou mais insuportável do que era. Eu acho muito legal que as pessoas falem sobre isso, que consigam expor seu problema e resolvê-lo, mas o bullying sempre aconteceu e me incomoda o fato de virar justificativa pra tudo. Um ser maluco entra na escola e mata crianças aleatoriamente, e dizem que foi porque ele sofreu bullying. Desculpa, mas bullying todo mundo sofre, e nem todo mundo sai surtado atirando em inocentes. Lógico que existem casos e casos, mas de modo geral, usar essa nova expressão como explicação pra maluquice humana me soa simplista demais.

O grande problema não é o bullying, e sim a forma que respondem a ele. Se a criança sofre bullying calada, realmente é um problema. Mas se fala para os pais ou para escola, grande parte do problema está resolvido, pois eles que irão tomar a atitude mais sensata e que efetivamente soluciona a questão. No meu caso, eu não podia crescer, mas coloquei aparelho. Também não podia dar porrada em ninguém, então uma boa decisão foi reclamar pro meu pai, que avisou ao Adílson (era o inspetor que fiscalizava a gente no CAp), um negão com cara de malvado que entrou na sala e mandou alto: “se alguém chamar a Leninha de Mônica de novo, vai se ver comigo!”. Problema resolvido.

Lembro de quantas vezes o SOE e a coordenação foram na sala pedir pra gente parar de xingar um, de dar apelido pro outro, pra não excluir fulaninho, sempre na base da conversa e da explicação. E criança entende! Eu sempre me sentia a pior das criaturas quando me faziam enxergar que eu estava fazendo mal pra alguém. E nenhuma das crianças ao meu redor cresceu atordoada, virou adulto doente, nem matou pessoas, e eu lembro de apelidos e brincadeiras maldosas com quase todos. Ou seja, os pais e a escola precisam estar  sempre presentes e atentos sim, mas quem sou eu pra "ensinar" isso, certo?

Acho que o termo “bullying” devia ser usado somente pra casos extremos, como os que infelizmente sabemos que acontecem. Nos pouparia, pelo menos, de ouvir absurdos como políticos dizendo que sofrem bullying da imprensa. Se bem que nesse último caso, acho o bullying um tanto quanto necessário.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Por que você deve ter filhos

Conheço algumas pessoas que não querem ter filhos, e me sinto na obrigação de tentar explicar por que elas devem ter sim. Pra início de conversa, estou falando de pessoas que têm situação financeira boa e estável, relacionamento serio, etc. (sempre tem um espírito de porco pra querer dar aula de sociologia, geografia, biologia, antropologia, e falar que muitos não têm condições, não podem, essas coisas). Portanto, esse post vai para pessoas que têm condições de tê-los, e só não os têm por opção (deixando claro que não vou falar de catolicismo aqui).

O motivo principal é bem simples: família. Família é tudo de melhor que existe na nossa vida. Lógico que não existe família perfeita, mas os laços sanguíneos (ou não) criam uma relação divina que é o grande presente (e base) que o homem recebe ao nascer, e não precisa nunca se desfazer dele, apenas mantê-lo. Não existe nada melhor do que casa cheia, almoços de domingo na casa da avó,  Natal em família... Eu ainda não sou mãe, mas deve ser incrível ser acordada no final de semana com as crianças pulando na cama, ver seus filhos brincando juntos, depois brigando, fazendo as pazes e brincando novamente, vê-los unidos conspirando sobre como sacanear os pais (no bom sentido da palavra). Vê-los cuidando dos filhos um do outro e enchendo sua casa de alegria desde o primeiro momento em que apareceram. 

Parêntese: dia desses estava comentando com a minha mãe sobre como é engraçado quando acontece um marco na nossa vida e a gente dorme, acorda e lembra da nova situação. Por exemplo, compra um cachorro, acorda no dia seguinte e lembra "caramba, tenho um cachorro!", ou "caraca, estou em Paris!". Imagina quando você acorda na sua primeira manhã e lembra "eu sou mãe".

Já ouvi dizerem também que outro motivo para não ter filhos é ter que deixar de fazer viagens e coisas de que se gosta por causa deles. Nos primeiros anos tudo bem, não se pode ter tudo sempre, mas depois a vida volta ao normal. Os filhos crescem, e ainda haverá uns 50  anos no mínimo para viagens e afins. E na velhice, os filhos não tidos farão muita falta. Também não sei se um ou dois anos sem ir pros EUA compensam os dias dos pais sem desenhos, os cafés da manhã sempre para dois e os Natais cada vez mais vazios.

Tenho um tio -  muito sábio por sinal, daquelas pessoas que a gente ouve em silêncio e depois pede benção - que no último Natal em que fomos pra Porto Alegre (minha família materna é de lá), disse que o nosso Natal era uma renovação de amor. É exatamente isso. Não importa quanto tempo fiquemos sem nos ver, o amor é enorme e eterno.

Outra campanha que levanto a bandeira é a de que um filho é pouco, pois todo mundo merece um irmão. Sem dúvida, a vida é outra com eles. Mas isso é assunto pra outro post!