quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Corpo perfeito, sem gentileza

Ontem quando eu li a matéria falando sobre o corpo da Fernanda Gentil na praia eu fiquei com muita raiva. Raiva mesmo. Primeiro porque eu adoro ela. Segundo porque a Fernanda não vive da bunda dela e sim da cabeça - nada contra quem vive do corpo, mas sou da teoria de que você só pode ser cobrado pelo que se propõe a fazer de melhor. Ou seja, se você é médico, tem que exercer a medicina direito, se é professor, tem que ensinar bem, se vive da sua bunda, nada mais que a sua obrigação é que ela seja perfeita. Terceiro porque ela, logo ela, que é uma das pessoas mais simpáticas e queridas da TV, ótima profissional e super discreta, tava lá de boas na praia e alguém se acha no direito não só de fotografá-la, mas de escrever uma matéria falando mal do "corpo não perfeito" (na visão de quem? ah tá). Aí me coloquei no lugar dela e fiquei pior ainda, porque por mais que eu possa dizer que tô cagando pra opinião dos outros, ser criticado incomoda sim.  Não importa por quem seja. E criticado e exposto a troco de nada, é revoltante.

Depois rolou desculpas, desculpas aceitas por ela (fofa, porque eu sou rancorosa e não desculpava não. Nota mental: preciso evoluir ainda), vários comentários, blogs e sites falando do assunto, e o mais interessante e que mais me marcou foi o texto de uma coleguinha (porque assim como a Fernanda e a pessoa que escreveu a maldita matéria, eu também sou jornalista, rá) em que ela encerrava falando "somos todas Gentil" (queria ter pensado nessa frase primeiro, link dela aqui). E somos mesmo. 

De todas as mulheres que eu conheço, e quando eu digo todas são todas mesmo, desde a mais bela (pelos olhos da nossa sociedade) até a menos bem afeiçoada (também pelos olhos dessa nossa sociedade do demo), nenhuma está satisfeita com sua aparência. Nenhuma mesmo. Cara, que coisa terrível. Como é que nós viramos isso? Por que fazemos isso conosco? E eu tô me incluindo bonito aqui nessa análise. Eu malho que nem uma condenada todos os dias, mesmo sem tempo pra dormir direito trabalhando que nem uma condenada. Faço dieta, gasto uma fortuna tentando melhorar esse meu cabelo ralo, eu gasto uma babada de creme pro olho, pra testa, pro corpo, até pra mão tem creme. Aí eu paro às vezes e penso "foda-se essa porra, não vou gastar mais, não sou perfeita, é isso aí. Goste quem gostar!". E no dia seguinte já to la no ebay encomendando colágeno. 

E o engraçado é que ninguém nunca cobrou que eu fosse assim ou assado. Só eu. Ninguém me falou que eu tinha que ser magra, sarada, ou sei lá o que. Só falam que eu tinha que ser mais alta (1,53m foi meio vacilo comigo, mas beleza). E olha que se tivesse como, com certeza eu já teria feito alguma coisa (obs: médicos, não inventem nenhum método porque não tenho mais dinheiro pra gastos com altura, ok? brigada de nada). 

E outra coisa, os homens também não ajudam muito, vai. Sim, nós fazemos tudo isso pra impressionar a eles também. Eles podem não nos cobrar diretamente. Mas ficam entre si falando dessa ou daquela, curtindo foto da gostosona que tirou foto seminua no espelho... Aí eles viram e falam "que isso, essa mulher é mó piranha", mas no fundo ficam lá babando. E não adianta falar que não. Aí a mulher normal que não tem a bunda na nuca fica frustrada em não se achar tão boa pro seu namorado/marido e começa nessa sangria doida da busca pela perfeição. E a auto estima lá no pé. Atenção, não tô culpando os homens por isso tudo. Tô culpando todo mundo, homem, mulher, indústria, mídia, geral. Apontei a bazuca giratória e vrá.

Acho que nós, mulheres, demos "sorte" por ter acontecido isso agora, e  por ter sido com a Fernanda Gentil. É óbvio que não era pra ter acontecido e que ela não merecia, mas justamente por ter sido com ela, uma mulher tão querida, pode ter sido o primeiro passo pra essa cultura obcecada pelo corpo perfeito começar a diminuir um pouco. Somos todas Gentil? Somos. Se bem que eu só queria um pouco da beleza dela, então sou mais ou menos Gentil. E um pouco do cabelo dela também, que eu acho lindo. Ok, sou só um pouco Gentil (pra descontrair porque esse texto tava muito serio).

E apesar de cada vez mais a gente tentar se padronizar fisicamente, Deus fez cada um de um jeitinho, né? E não foi à toa. 

PS: enquanto eu escrevia esse texto tava tomando meu shake. (aqui entra aquela carinha bolada do whatsapp)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Por um 2015 com menos Selfie

A vida inteira quando eu ia tirar uma autofoto não era legal. Daí foi só mudar o nome pra 'selfie' que virou muito incrível. 

Eu não vou ser hipócrita e dizer que eu nunca tirei uma. Já tentei, mas as minhas ficam sempre terríveis. Talvez se eu ficasse gata eu nem estaria aqui escrevendo isso, mas de fato eu não fico bem. Meu braço é curto, se tá de cima minha cara fica fina, se for de baixo ela fica lua cheia, e eu sempre achei minha cara normal até inventarem esse demônio de selfie eu ser obrigada a tirar. Obrigada mesmo. Porque a pessoa vira e fala: vamos tirar um selfie? Aí você responde, "pede pra alguém bater"... "NÃO! QUERO SELFIE!".

Mas talvez seja certo que eu não saia bem porque na maioria das vezes você está sozinho. E qual a graça de ficar saindo em foto sozinho? Sua cara lá, pá. Toda hora. Sua cara. A mesma, tá ela lá. Como se ela mudasse muito. Às vezes você entra no instagram da pessoa e TODAS as fotos são a caroça dela. Gente, qual a necessidade disso? A sua cara não muda, pra que postar foto dela todo dia? A gente já sabe como você é, juro. Além disso, nada me tira da cabeça que isso é carência da braba e na verdade a pessoa quer mesmo é só ganhar elogio dos amigos. Também não vou ser hipócrita e falar que eu nunca postei uma foto só minha pra ganhar elogio. Ja fiz isso sim, quando eu tava precisando dar uma inflada no ego, tava bolada, de tpm, sou mulher, óbvio que já usei essa artimanha do demo. E aí eu escolho uma foto que eu esteja bonitinha pras minhas amigas e família me elogiarem e eu ficar feliz por dois minutos (brigada migas, toco likes sdv curto a última). Mas todo dia, ou dia sim dia não, não dá.

Não posso deixar de falar também de outra coisa que eu acho muito maravilhosa que são as selfies fake. Aquela que você  finge que alguém bateu a foto mas todo mundo sabe que foi você mesmo. Dá a sua melhor gargalhada, olha pro lado e tira sua própria foto fingindo que alguém tirou pra você. Tipo, tô aqui de boas contemplando o horizonte nessa praia e alguém bateu essa foto com um pedaço do meu braço que precisará ser cortado depois pra dar veracidade. Eu fico pensando o quão constrangedor é se você tá fazendo isso, e na hora passa alguém e te vê. Na verdade uma vez eu quis tentar fazer isso pra ver se eu saía bem (eu sou humana, não to falando que nunca fiz nada disso), e eu fiquei me sentindo tão retardada mental rindo pro além que eu saí com a mesma cara de retardada que eu estava me sentindo. 

Ah, agora tem o tão amado e odiado pau de selfie. Eu tenho um pau de selfie e ele me ajuda muito, porque meu braço é curto e você não precisa mais que alguém sempre fique fora da foto pra bater e depois dar aquela revezada. Antes você ficava com duas fotos iguais que só mudam uma pessoa, e uma sempre é excluída, o que gera inúmeros conflitos em grupos de amigos tipo os meus, que nem rola ciúme. 

No final das contas, o que tem graça mesmo é sair com os amigos, família, namorar, viajar, vida de verdade, saca? E quando você tem uma vida de verdade, é isso que vale a pena a gente curtir. Ou se você se arruma toda linda pro aniversario de alguém, uma ocasião legal, acho super válido. Mas chega de foto sozinha, da sua cara nos mesmos três ângulos todo dia.  A vida é muito mais interessante que isso.

Tudo bem que dos meus 6 leitores metade não tá nem aí pro que eu acho legal ou não, mas o blog é meu e essa é a minha mensagem pra 2015.

Então pra resumir e como eu adoro criar listinha do que pode e não pode no meu ponto de vista (e que você provavelmente vai ignorar, vide post sobre moda em academias nesse link), segue: 

1- foto da sua cara só se você estiver mega linda pra um aniversário, casamento, ou algo diferente. Algo com contexto, um bom motivo
2 - carinha de soninho acordando, não
3 - Cara de bolado de fome, insonia, não
4 - Selfie com a boca semiaberta sexy, tipo na linha tênue entre cara de modelo e cara de babaca, não. Se for modelo, sim
5 - foto seminua (ou seminu) com frases filosóficas e sobre a vida também não.
6 - se for da sua bunda com a legenda "malhei benzao ganhei 6cm de gluteo e pá" é pelo menos honesto. Sabemos o que você quer mesmo (mas lembre-se que estaremos todos no fundo dando print, mandando nos grupos e te julgando. Cuidado)
7 - Foto no mesmo espelho da academia todo dia também não. Chega, cansou, muito 2014.
8 - Foto de regata de mamilo, nunca
9 - Na verdade regata de mamilo, nunca
10 - Foto olhando pro horizonte com seu braço demonstrando que você tirou, não
11 - amiguinho que tira sua foto num lugar lindo, sim
12 - pau de selfie pra caber geral na foto, sim
13 - pau de selfie só por ser pau de selfie, não
14 - fotos com cachorro tem carta branca para tudo
15 - não tem o que postar, posta frase, mato, comida, chapolin sincero e Clarice Lispector. Agrega mais (PS: só se certifique que foi a Clarice mesmo que escreveu, porque ela deve dar umas reviradas na cova brabas).

Vamos estimular as relações interpessoais, migos? O "bate uma foto pámien, por favor?" não vai sair de moda.

Então é isso, por um 2015 com menos selfies e mais fotos com gente! 

Não me odeiem. Me sigam (@lenapelosi).

PS: Troco likes